Cientistas descobrem por que algumas pessoas atraem mais mosquitos do que outras

Cientistas descobrem por que algumas pessoas atraem mais mosquitos do que outras

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Publicado em 18/06/26 às 16:47

Nem todos os indivíduos são igualmente atraentes para os mosquitos. Enquanto algumas pessoas acumulam picadas em poucos minutos, outras parecem passar despercebidas pelos insetos. Pesquisas recentes têm ajudado a explicar esse fenômeno e apontam que a resposta está em uma combinação complexa de fatores biológicos, como odor corporal, temperatura da pele, emissão de dióxido de carbono e composição química cutânea.

Segundo especialistas, as fêmeas dos mosquitos — únicas responsáveis pelas picadas, necessárias para o desenvolvimento dos ovos — utilizam diferentes estímulos sensoriais para localizar suas vítimas. O dióxido de carbono liberado durante a respiração é um dos principais sinais detectados pelos insetos.

De acordo com estudos conduzidos por pesquisadores europeus, os mosquitos conseguem perceber a presença desse gás a dezenas de metros de distância. À medida que se aproximam, passam a identificar outros elementos, como calor corporal, umidade e substâncias químicas presentes na superfície da pele.

Uma pesquisa recente com foco no Aedes aegypti, espécie transmissora de doenças como dengue e febre amarela, analisou o comportamento dos insetos diante de diferentes perfis químicos humanos. Em experimentos realizados com voluntárias, os cientistas observaram que algumas pessoas produzem concentrações mais elevadas de compostos odoríferos capazes de atrair os mosquitos com maior intensidade.

Entre essas substâncias, uma chamou a atenção dos pesquisadores: o 1-octen-3-ol, conhecido popularmente como “álcool de cogumelo”. O composto surge durante a degradação natural dos óleos presentes na pele e demonstrou influência significativa sobre a preferência dos insetos. Mesmo pequenas variações em sua concentração foram suficientes para alterar o comportamento dos mosquitos durante os testes.

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Consumo de cerveja também pode aumentar o risco de picadas

Além da química natural do corpo, hábitos cotidianos também parecem interferir na atração exercida sobre os mosquitos. Diversos estudos apontam que o consumo de cerveja pode aumentar as chances de uma pessoa ser escolhida como alvo.

Os pesquisadores acreditam que o álcool contribui para a elevação da temperatura corporal, modifica o odor da pele e pode ampliar a produção de dióxido de carbono durante a respiração. Esses fatores, combinados, tornam o indivíduo mais facilmente detectável pelos insetos.

Em uma investigação realizada em Burkina Faso, mosquitos transmissores da malária demonstraram preferência por participantes que haviam consumido cerveja em comparação com aqueles que ingeriram apenas água. Outra pesquisa, conduzida na Holanda, indicou que pessoas que beberam cerveja nas 24 horas anteriores apresentaram cerca de 35% mais atratividade para os mosquitos.

Os resultados também ajudam a derrubar algumas crenças populares. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, os cientistas afirmam que ainda há poucas evidências de que determinados tipos sanguíneos sejam preferidos pelos mosquitos. Características como cor da pele, dos olhos ou dos cabelos também não parecem exercer influência relevante na frequência das picadas.

A descoberta ganha importância em um cenário de expansão geográfica de espécies transmissoras de doenças, impulsionada pelo aumento das temperaturas globais. Especialistas alertam que enfermidades como dengue, chikungunya e malária podem alcançar populações cada vez maiores nas próximas décadas.

Enquanto novas pesquisas buscam compreender melhor os mecanismos que orientam a escolha dos mosquitos, os especialistas recomendam medidas simples de prevenção, como o uso de repelentes, roupas compridas e folgadas, mosquiteiros durante o sono e a redução do consumo de bebidas alcoólicas em áreas com alta presença dos insetos.

Para os cientistas, as evidências indicam que a química natural do organismo exerce papel decisivo nesse processo. Em outras palavras, algumas pessoas realmente podem ser mais atraentes para os mosquitos do que outras — e isso depende muito menos da sorte do que se imaginava.

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