Nova ferramenta online permite ver onde sua casa estava localizada na Terra há 320 milhões de anos

Nova ferramenta online permite ver onde sua casa estava localizada na Terra há 320 milhões de anos

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Publicado em 03/05/26 às 07:54

Uma ferramenta digital que permite reconstruir a posição de qualquer ponto da Terra ao longo dos últimos 320 milhões de anos ganhou uma atualização significativa e promete ampliar a compreensão científica sobre a história do planeta. Batizado de Paleolatitude, o modelo foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Utrecht e agora incorpora novos dados que tornam suas simulações mais precisas e abrangentes.

Criado originalmente há cerca de uma década, o sistema tem como objetivo aproximar duas áreas fundamentais da geociência: a paleobiologia e a paleoclimatologia. A ferramenta permite que cientistas determinem em que latitude rochas e fósseis se formaram — informação essencial para reconstituir climas antigos e entender a distribuição da vida no passado.

O modelo utiliza sinais magnéticos preservados em minerais presentes nas rochas. Esses registros funcionam como uma espécie de “bússola geológica”, indicando a direção do campo magnético da Terra no momento em que a rocha se formou. Como a inclinação desse campo varia conforme a latitude, os pesquisadores conseguem estimar a posição original desses materiais.

Segundo o pesquisador Bram Vaes, coautor do estudo, a técnica se baseia na relação entre o campo magnético terrestre e a superfície do planeta. “O ângulo formado entre o campo magnético e a superfície muda gradualmente dos polos em direção ao equador, o que permite associá-lo à latitude”, explicou em comunicado.

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A nova versão do Paleolatitude incorpora dados recentes sobre anomalias magnéticas marinhas, fundamentais para rastrear o movimento das grandes placas tectônicas. Além disso, o modelo passou a incluir placas menores e até continentes desaparecidos que hoje estão incorporados a cadeias montanhosas na Ásia e no Mediterrâneo.

Entre os exemplos está Argolândia, uma massa continental que se desprendeu da Austrália Ocidental há cerca de 155 milhões de anos e hoje se encontra soterrada sob a Indonésia. Outro caso é o de Greater Adria, que se separou do norte da África há mais de 200 milhões de anos e acabou englobado pelas formações montanhosas do Mediterrâneo e do Oriente Médio.

De acordo com o líder da pesquisa, Douwe van Hinsbergen, a atualização representa um avanço inédito. “Pela primeira vez, temos um modelo global que permite relacionar rochas às placas tectônicas originais, mesmo aquelas que já desapareceram no manto terrestre”, afirmou.

planeta-terra

A ferramenta (link) também possibilita que usuários comuns explorem a história geográfica de qualquer local do planeta. Ao selecionar uma cidade ou região, é possível visualizar como sua latitude mudou desde a época do supercontinente Pangeia, que existiu há cerca de 320 milhões de anos e reunia quase todas as massas terrestres do planeta.

A fragmentação da Pangeia, iniciada há cerca de 200 milhões de anos, deu origem à configuração atual dos continentes e oceanos. No entanto, as rochas que hoje compõem essas regiões carregam trajetórias complexas, tendo se deslocado por milhares de quilômetros ao longo do tempo geológico.

Para pesquisadores que estudam fósseis, essas informações são cruciais. A posição original das rochas ajuda a estabelecer relações entre biodiversidade e clima, permitindo análises mais precisas sobre a evolução da vida na Terra.

A paleobióloga Emilia Jarochowska, também autora do estudo, afirma que o novo modelo amplia a compreensão científica. “Nossa análise deixa de ser apenas temporal e passa a incorporar o espaço, tornando-se tridimensional”, disse. “Isso nos ajuda a entender melhor a resiliência da biodiversidade diante de mudanças ambientais.”

Os resultados da pesquisa foram publicados na revista científica PLOS One.

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