Meta aposta em energia solar espacial para abastecer seus data centers de IA

Meta aposta em energia solar espacial para abastecer seus data centers de IA

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Publicado em 28/04/26 às 13:25

A Meta Platforms anunciou uma nova estratégia para enfrentar o crescente consumo de energia impulsionado pela expansão da inteligência artificial, firmando acordos inéditos com startups do setor energético para viabilizar o uso de energia solar captada diretamente do espaço e soluções avançadas de armazenamento. As informações foram divulgadas na segunda-feira (27) e indicam uma corrida entre gigantes da tecnologia para garantir fontes sustentáveis de eletricidade em meio à pressão sobre redes elétricas globais .

Os contratos foram assinados com as empresas Overview Energy e Noon Energy, e marcam uma das apostas mais ambiciosas já feitas pela companhia no campo de energia renovável. A parceria prevê que satélites em órbita geoestacionária coletem luz solar continuamente e transmitam essa energia para a Terra, onde será convertida em eletricidade para abastecer data centers — infraestrutura essencial para operações de inteligência artificial.

Segundo a Meta, o sistema da Overview Energy poderá fornecer até 1 gigawatt de capacidade energética, com previsão de início de operação comercial em 2030. Antes disso, uma demonstração orbital está programada para 2028. A tecnologia consiste em captar energia solar no espaço — onde não há interrupções por clima ou ciclo dia-noite — e transmiti-la por feixes de luz infravermelha de baixa intensidade até instalações terrestres.

A empresa afirma que uma das principais vantagens do modelo é permitir que usinas solares já existentes operem continuamente, inclusive durante a noite, aumentando a eficiência sem a necessidade de expansão territorial ou grandes mudanças na infraestrutura elétrica.

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Para resolver o desafio do armazenamento, a Meta também firmou acordo com a Noon Energy, que desenvolve sistemas capazes de armazenar energia por mais de 100 horas — superando significativamente as baterias de íons de lítio convencionais. A companhia reservou até 1 GW/100 GWh de capacidade nesse modelo, considerado um dos maiores compromissos do setor com armazenamento de longa duração.

O movimento ocorre em meio ao aumento exponencial da demanda energética causada pelo avanço da inteligência artificial e pela expansão de data centers. Empresas como a própria Meta e a Microsoft vêm sendo pressionadas por ambientalistas e reguladores devido ao impacto dessas operações sobre o consumo de energia e recursos naturais.

Além disso, soluções alternativas vêm sendo exploradas no setor. A SpaceX, de Elon Musk, chegou a propor o lançamento de até 1 milhão de satélites dedicados a data centers em órbita, embora especialistas considerem a ideia economicamente inviável no curto prazo devido aos altos custos de lançamento.

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A estratégia energética da Meta faz parte de um plano mais amplo de expansão de infraestrutura nos Estados Unidos, com investimentos que podem chegar a dezenas de bilhões de dólares até o fim da década. O CEO da empresa, Mark Zuckerberg, já havia mencionado aportes significativos no país, embora posteriormente tenha relativizado os números divulgados.

Atualmente, a empresa mantém contratos que somam mais de 30 gigawatts de energia limpa, incluindo acordos com companhias de energia nuclear e projetos de geotermia avançada. Ainda assim, especialistas apontam que o desafio de sustentar o crescimento da inteligência artificial com fontes renováveis continua em aberto, especialmente diante da escala exigida pelas novas tecnologias.

Ao apostar em energia solar espacial e armazenamento de longa duração, a Meta busca não apenas reduzir sua dependência de fontes tradicionais, mas também antecipar soluções para um problema que deve se intensificar nos próximos anos: como alimentar a infraestrutura digital do futuro sem comprometer o equilíbrio energético global.

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