
Sundar Pichai afirma que 75% do código do Google já é gerado por inteligência artificial
Por Sandro Felix
Publicado em 26/04/26 às 08:02
O CEO da Google, Sundar Pichai, afirmou que mais de 75% de todo o novo código produzido pela empresa já é gerado por inteligência artificial. O dado, divulgado em publicação no blog corporativo na última quarta-feira (22), indica um avanço significativo em relação ao patamar de 50% registrado no segundo semestre do ano passado.
Segundo Pichai, a adoção massiva de ferramentas de IA internamente tem impulsionado ganhos expressivos de produtividade. A empresa, que vem incentivando funcionários de diferentes áreas — de engenheiros de software a equipes não técnicas — a incorporar essas soluções no dia a dia, estaria agora migrando para um modelo mais avançado de trabalho automatizado.
Estamos avançando para fluxos de trabalho verdadeiramente ‘agênticos’. Nossos engenheiros estão orquestrando forças-tarefa digitais autônomas, acionando agentes e realizando tarefas de forma impressionante, escreveu o executivo.
Um exemplo citado por Pichai envolve um projeto recente de migração complexa de código, conduzido por uma equipe híbrida formada por agentes de IA e engenheiros humanos. De acordo com ele, o trabalho foi concluído seis vezes mais rápido do que seria possível apenas com profissionais humanos há um ano.
A estratégia do Google não é isolada no Vale do Silício. Empresas como Microsoft, Nvidia e Salesforce também vêm destacando o uso crescente de inteligência artificial na produção de código e em processos internos. Em alguns casos, executivos têm adotado um discurso mais enfático.
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, por exemplo, já criticou gestores que desencorajavam o uso dessas ferramentas, defendendo que os funcionários adotem a IA amplamente, mesmo diante de preocupações com substituição de empregos. Já a Meta teria passado a vincular o desempenho de funcionários ao uso de IA, segundo reportagem recente do Business Insider.
Apesar dos avanços, especialistas apontam limitações. Modelos de linguagem de grande escala (LLMs), base dessas ferramentas, ainda exigem supervisão humana constante. Há registros de falhas em que agentes automatizados cometeram erros graves, como apagar bases inteiras de código ou gerar softwares com vulnerabilidades.
Para Richard Seroter, diretor sênior e evangelista-chefe do Google Cloud, o papel dos engenheiros está em transformação, mas os fundamentos da profissão permanecem. Segundo ele, a validação humana continua sendo essencial.
Os engenheiros estão migrando para funções mais estratégicas, focadas em arquitetura de sistemas, design e resolução de problemas complexos, afirmou em entrevista à Fast Company.
Estamos vendo profissionais deixarem o trabalho manual de programação para atuar como arquitetos de soluções dentro de um modelo operacional orientado por agentes.
Seroter também afirmou que a fase experimental de ferramentas básicas, como assistentes de código e chatbots simples, ficou para trás.
Agora entramos na era em que agentes de IA executam tarefas completas, sob supervisão humana, disse.
Além da engenharia, outras áreas da empresa também têm se beneficiado da tecnologia. Segundo Pichai, equipes de marketing utilizam modelos de IA para gerar milhares de variações de peças criativas em pouco tempo — um processo que antes levaria semanas. O uso dessas ferramentas teria reduzido em 70% o tempo de produção e aumentado em 20% as taxas de conversão.
Para o Google, os próximos anos devem ser marcados pela transição de sistemas que apenas geram código para plataformas capazes de coordenar agentes autônomos em escala, dentro de ambientes corporativos controlados.
A mudança aponta para um cenário em que a produtividade deixa de ser limitada pelo tempo humano, mas levanta questões sobre segurança, confiabilidade e o futuro do trabalho na indústria de tecnologia.


