Empresa dos EUA compra única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bilhões

Empresa dos EUA compra única mina de terras raras do Brasil por US$ 2,8 bilhões

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Publicado em 21/04/26 às 07:36

A empresa norte-americana USA Rare Earth anunciou nesta segunda-feira (20) a compra da mineradora brasileira Serra Verde, dona da única mina de terras raras em operação no país, por US$ 2,8 bilhões (cerca de R$ 14 bilhões). O acordo envolve pagamento em dinheiro e ações e deve ser concluído até o terceiro trimestre de 2026, após aprovações regulatórias.

A Serra Verde opera a mina de Pela Ema, localizada em Minaçu (GO), considerada um ativo estratégico global por concentrar terras raras pesadas — como disprósio e térbio — essenciais para a fabricação de ímãs de alto desempenho usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos de defesa.

Trata-se da única operação fora da Ásia capaz de produzir, em escala, os quatro principais elementos magnéticos de terras raras, o que aumenta o interesse internacional pelo ativo.

mineradora brasileira Serra Verde

Disputa geopolítica

A aquisição ocorre em meio à corrida global por minerais críticos, dominada pela China, que responde por cerca de 85% do processamento mundial de terras raras.

O movimento é visto como parte da estratégia dos Estados Unidos para reduzir a dependência chinesa e fortalecer uma cadeia de suprimentos própria — da mineração à fabricação de ímãs.

Segundo a CEO da USA Rare Earth, Barbara Humpton, a compra representa um “passo transformador” na ambição da empresa de se tornar uma líder global no setor.

Analistas avaliam que a mina brasileira pode responder por parcela significativa da produção de terras raras pesadas fora da China até o fim da década, ampliando o peso estratégico do Brasil nesse mercado.

USA Rare Earth

Detalhes do acordo

O negócio inclui US$ 300 milhões em dinheiro e mais de 126 milhões de ações da companhia norte-americana.

Além disso, a Serra Verde já havia firmado um contrato de fornecimento de 15 anos com uma empresa ligada a agências do governo dos Estados Unidos, garantindo a compra integral da produção inicial com preços mínimos definidos.

A produção comercial da mina começou em 2024 e deve atingir cerca de 6,4 mil toneladas anuais até 2027, com possibilidade de expansão futura.

Executivos da empresa brasileira devem integrar a nova estrutura da USA Rare Earth após a conclusão da operação.

USA Rare Earth

Impactos para o Brasil

A venda da única mina ativa de terras raras do país ocorre em um momento em que o Brasil busca ampliar sua participação no mercado global desses minerais, no qual possui uma das maiores reservas do mundo.

Para o governo e especialistas, o acordo pode trazer investimentos e acelerar a expansão da produção nacional. O presidente da Serra Verde afirmou que a transação deve viabilizar novas pesquisas e potencialmente dobrar a capacidade produtiva do projeto.

Por outro lado, a operação levanta discussões sobre soberania e controle de recursos estratégicos, já que envolve forte participação de capital estrangeiro e interesses geopolíticos.

Reação do mercado

Após o anúncio, as ações da USA Rare Earth registraram alta significativa, refletindo o otimismo dos investidores com o fortalecimento da cadeia produtiva da empresa.

O negócio também consolida uma série de aquisições recentes da companhia, que busca construir uma operação integrada global, incluindo mineração, processamento e fabricação de ímãs.

terras-raras

As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para tecnologias modernas, como baterias, turbinas eólicas, semicondutores e sistemas militares. Apesar do nome, são relativamente abundantes, mas de difícil extração e processamento.

A crescente demanda por esses materiais, impulsionada pela transição energética e pela indústria tecnológica, tem intensificado a competição entre grandes potências, colocando países com reservas relevantes — como o Brasil — no centro das disputas econômicas e estratégicas globais.

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