
NASA desliga instrumento da Voyager 1 para economizar energia e manter a nave viva no espaço profundo
Por Sandro Felix
Publicado em 23/04/26 às 12:49
A NASA decidiu desligar um dos instrumentos científicos da sonda Voyager 1 em uma tentativa de prolongar a vida útil da missão mais distante já realizada pela humanidade. A medida, executada em 17 de abril, desativou o experimento Low-Energy Charged Particles (LECP), responsável por quase cinco décadas de medições de partículas energéticas no espaço profundo.
O desligamento não indica o fim da relevância científica da missão. Pelo contrário, trata-se de uma estratégia para manter a sonda operacional diante da redução contínua de energia disponível. As sondas Voyager dependem de geradores termoelétricos de radioisótopos, que perdem cerca de 4 watts por ano — uma queda aparentemente modesta, mas que se torna crítica em um sistema onde cada fração de energia é essencial.
A situação da Voyager 1 se agravou após uma manobra de orientação realizada em 27 de fevereiro, que causou uma diminuição inesperada na potência elétrica. Diante do risco de o sistema automático desligar componentes vitais, engenheiros do Jet Propulsion Laboratory optaram por antecipar cortes controlados.
Com a desativação do LECP, a Voyager 1 passa a operar com apenas dois instrumentos científicos ativos. Já a Voyager 2 mantém três equipamentos em funcionamento. Ainda assim, ambas continuam enviando dados valiosos do espaço interestelar, região localizada além da heliopausa — limite onde o vento solar perde influência e dá lugar ao meio interestelar. Nenhuma outra missão atualmente coleta informações diretamente dessa área, o que mantém as Voyager como fontes únicas para estudos em física espacial.
Além dos cortes, a NASA prepara uma operação considerada de alto risco, apelidada internamente de “Big Bang”. A manobra prevê a substituição simultânea de vários sistemas por alternativas de menor consumo energético, com o objetivo de liberar potência e preservar o aquecimento interno da sonda — fator crucial para evitar falhas nos sistemas de combustível.
A primeira fase do teste será realizada com a Voyager 2, entre maio e junho, por contar com maior disponibilidade energética e estar mais próxima da Terra. Caso os resultados sejam positivos, a estratégia será adaptada para a Voyager 1 a partir de julho. A distância impõe desafios adicionais: os comandos enviados da Terra levam cerca de 23 horas para chegar à sonda, atualmente a aproximadamente 25 bilhões de quilômetros do planeta.
Mesmo com limitações crescentes, as Voyager continuam operando além das expectativas iniciais, quase meio século após o lançamento. Para os cientistas, cada ajuste técnico representa uma tentativa de extrair mais conhecimento de uma missão que redefiniu a exploração espacial.


