
Diretor do filme “Call of Duty” vira alvo de críticas por chamar jogadores de patéticos
Por Sandro Felix
Publicado em 28/04/26 às 07:24
Uma adaptação cinematográfica de uma das franquias mais populares dos videogames sequer revelou suas primeiras imagens oficiais, mas já enfrenta turbulência antes mesmo de iniciar sua campanha promocional. A futura versão para os cinemas de Call of Duty tornou-se alvo de críticas nas redes sociais após o resgate de declarações antigas de seu diretor, Peter Berg, nas quais ele classificava jogadores de games de guerra como “patéticos”.
As falas vieram à tona a partir de uma entrevista concedida por Berg à revista Esquire em 2013. Na ocasião, o cineasta não apenas criticou o hábito de passar horas jogando títulos militares, como também questionou a relevância da atividade, descrevendo-a como uma forma de “valentia de teclado” e associando-a a uma “masculinidade de sofá”. Segundo ele, dedicar longos períodos a esse tipo de entretenimento seria uma perda de tempo, mesmo quando se tratava de militares reais.
“Eu digo a eles que acho isso patético. Qualquer pessoa que passe quatro horas sentada jogando videogame… é patético. Saiam, façam alguma coisa”, afirmou Berg na época, inclusive mencionando que já havia expressado essa opinião diretamente a integrantes da força de elite Navy SEALs que jogavam o próprio Call of Duty.
Mais de uma década depois, o conteúdo da entrevista reaparece em um momento sensível. Berg foi recentemente confirmado como diretor da adaptação cinematográfica da franquia, um projeto que reúne a Paramount Pictures e a Activision. O roteiro conta com a participação de Taylor Sheridan, conhecido por trabalhos ligados ao universo militar e policial. A estreia do filme está prevista para 30 de junho de 2028.
O contraste entre as declarações passadas e o atual envolvimento de Berg com a adaptação não passou despercebido pelo público online. Usuários em diferentes plataformas questionam se o diretor possui afinidade suficiente com a cultura dos videogames — especialmente com uma franquia que, ao longo de anos, construiu uma base global de fãs e se consolidou como um fenômeno cultural.
Especialistas em entretenimento apontam que a controvérsia não se limita à opinião pessoal do diretor, mas levanta dúvidas mais amplas sobre a abordagem criativa do projeto. Embora Berg tenha experiência em produções de ação e temas militares, a adaptação de Call of Duty exige mais do que domínio técnico. Envolve também a compreensão da linguagem dos jogos, seu ritmo acelerado, a interatividade transformada em narrativa e, principalmente, a conexão emocional com os jogadores.
Até o momento, não há registro de retratação pública recente por parte de Berg em relação às declarações de 2013. A ausência de um posicionamento atualizado mantém o debate aberto e adiciona pressão a um projeto que ainda está em estágio inicial.
Para analistas do setor, o episódio evidencia um desafio recorrente em adaptações de videogames para o cinema: equilibrar fidelidade ao material original com uma visão autoral capaz de dialogar com o público. No caso de Call of Duty, essa equação se torna ainda mais complexa diante de uma comunidade conhecida por seu alto nível de engajamento e expectativas elevadas.
Enquanto a produção avança nos bastidores, a recepção inicial sugere que o filme já entra em desenvolvimento sob escrutínio intenso. Em um cenário onde fãs acompanham cada movimento com atenção, qualquer desalinhamento entre criadores e público pode influenciar diretamente o desempenho final da obra.
A controvérsia, portanto, surge como um obstáculo precoce — e significativo — para uma adaptação que ainda nem começou oficialmente sua batalha nas telas, mas já enfrenta resistência fora delas.


