Telescópio James Webb revela milhões de estrelas ocultas na Galáxia do Charuto

Telescópio James Webb revela milhões de estrelas ocultas na Galáxia do Charuto

Data

Publicado em 29/06/26 às 17:05

O Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, registrou a imagem infravermelha mais detalhada já obtida da galáxia Messier 82 (M82), conhecida como Galáxia do Charuto, revelando cerca de 16,5 milhões de estrelas antes escondidas por densas nuvens de poeira cósmica. O novo levantamento deve ajudar astrônomos a reconstruir a história de formação da galáxia e compreender melhor os mecanismos responsáveis por seu intenso processo de nascimento de estrelas.

Localizada a aproximadamente 12 milhões de anos-luz da Terra, a Messier 82 atravessa uma fase excepcional de formação estelar, considerada temporária em escala cosmológica. Segundo a NASA, esse período de atividade deve durar apenas algumas centenas de milhões de anos e, ao que tudo indica, foi desencadeado por uma antiga interação ou fusão com outra galáxia.

Publicidade

Os dados foram obtidos durante uma campanha de observação de 65 horas utilizando a câmera de infravermelho próximo (NIRCam) do James Webb. Diferentemente dos telescópios que operam na faixa da luz visível, o observatório espacial consegue enxergar através das espessas camadas de poeira, permitindo visualizar regiões até então inacessíveis do interior da galáxia.

As novas imagens mostram não apenas milhões de estrelas individuais, mas também a estrutura deformada do disco galáctico e enormes plumas de gás e poeira que se estendem acima e abaixo do plano principal da M82. Em uma composição elaborada a partir de dados do James Webb e do Telescópio Espacial Hubble, as estrelas aparecem em tons azulados e brancos, enquanto a poeira é representada em vermelho e laranja e o hidrogênio ionizado surge em amarelo.

galáxia-do-charutoO Telescópio Espacial James Webb da NASA capturou a imagem infravermelha mais detalhada de Messier 82, revelando cerca de 16,5 milhões de estrelas escondidas atrás de densas nuvens de poeira cósmica. (Imagem: NASA)

Embora as estrelas identificadas representem apenas uma parcela da população estelar da galáxia, os pesquisadores afirmam que o conjunto fornece um retrato detalhado de sua evolução ao longo do tempo.

As observações também reforçam evidências de que a Messier 82 sofreu uma forte perturbação gravitacional durante uma antiga fusão galáctica. O disco apresenta uma estrutura assimétrica, considerada um dos principais indícios desse evento. Atualmente, a galáxia produz estrelas em um ritmo cerca de dez vezes superior ao da Via Láctea.

Paradoxalmente, o mesmo processo que impulsiona esse intenso nascimento de estrelas também acelera a expulsão de grandes quantidades de gás para o espaço. Com o tempo, esse material deixará de estar disponível para formar novas estrelas, encerrando a atual fase de atividade.

galáxia-do-charuto-hubbleGaláxia do Charuto vista através do Telescópio Espacial Hubble / Imagem: Nasa

Para os astrônomos, a Galáxia do Charuto representa um dos melhores laboratórios naturais próximos da Terra para investigar como colisões entre galáxias desencadeiam surtos de formação estelar e influenciam sua evolução ao longo de bilhões de anos.

Os novos resultados complementam décadas de observações realizadas pelo Telescópio Espacial Hubble. Ao combinar registros em diferentes comprimentos de onda, os cientistas conseguem analisar com mais precisão a interação entre estrelas, gás e poeira durante um dos períodos mais energéticos da vida de uma galáxia.

M82 é uma bagunça, mas uma bagunça bonita. Ainda não compreendemos completamente o que aconteceu, especialmente em relação à sua história evolutiva, afirmou Adam Smercina, pesquisador principal do estudo e bolsista da NASA no Space Telescope Science Institute, em Baltimore.

Segundo ele, a galáxia oferece condições ideais para estudar a formação de estrelas em ambientes extremos e entender como essa atividade é capaz de lançar grandes quantidades de material para fora de seu núcleo.

Eric Bell, da Universidade de Michigan, destacou que a capacidade do James Webb de atravessar a poeira cósmica poderá responder questões antigas sobre como a formação estelar mudou em diferentes regiões da galáxia ao longo de bilhões de anos. Já Kristen McQuinn, também do Space Telescope Science Institute, ressaltou que a integração de dados do James Webb e do Hubble amplia significativamente o alcance das pesquisas, permitindo investigações que seriam impossíveis com apenas um observatório espacial.

Publicidade

Os cientistas consideram a Messier 82 um objeto singular no universo próximo justamente por reunir três características raramente observadas em conjunto: uma taxa extremamente elevada de formação estelar, evidências claras de uma antiga fusão entre galáxias e intensos fluxos de gás sendo expelidos para o espaço.

Deixe seu comentário

Deixe um comentário