Olho do Saara | Formação gigante volta a intrigar cientistas após novas imagens da NASA

Olho do Saara | Formação gigante volta a intrigar cientistas após novas imagens da NASA

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Publicado em 09/05/26 às 16:02

Novas imagens divulgadas pela NASA voltaram a chamar atenção para uma das formações geológicas mais intrigantes do planeta: a Estrutura de Richat, conhecida popularmente como “Olho do Saara”. Localizada na Mauritânia, no noroeste da África, a estrutura impressiona pelo formato circular quase perfeito, visível até do espaço, e voltou a circular nas redes e em publicações científicas após registros atualizados feitos em 2026.

Vista de órbita, a formação lembra um gigantesco alvo desenhado no meio do deserto, o que durante décadas alimentou teorias sobre possível origem extraterrestre ou impacto de meteorito. Cientistas, porém, reforçam que a estrutura não tem relação com atividade alienígena nem com colisões vindas do espaço. Trata-se, segundo estudos recentes, de um raro fenômeno geológico moldado ao longo de milhões de anos pela atividade interna da Terra e pela erosão natural.

As estimativas sobre o tamanho da Estrutura de Richat variam conforme o método de medição utilizado. Em diferentes análises, a NASA já descreveu a formação com diâmetro entre 40 e quase 50 quilômetros. Mesmo com a divergência numérica, especialistas concordam que se trata de uma das formações circulares mais extensas e reconhecíveis do planeta. Por causa disso, astronautas utilizam a estrutura há décadas como ponto de referência visual durante passagens sobre o deserto do Saara.

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A hipótese de impacto de meteorito ganhou força no passado justamente pelo desenho circular da formação, frequentemente associado a crateras. Com o avanço das pesquisas geológicas, contudo, essa interpretação foi sendo descartada. Estudos apontam que o local não apresenta sinais típicos de colisões cósmicas, como minerais deformados por choque extremo ou evidências de fusão provocada por altas temperaturas.

A explicação mais aceita atualmente indica que a estrutura foi formada em várias etapas geológicas. Pesquisas recentes sugerem que grandes massas de rochas magmáticas começaram a se instalar na região entre 230 milhões e 200 milhões de anos atrás, durante um período de intensa atividade vulcânica associado à abertura do oceano Atlântico. Posteriormente, uma nova intrusão de materiais alcalinos teria elevado parte do terreno, criando uma espécie de domo circular com dezenas de quilômetros de extensão.

Ao longo de milhões de anos, a ação contínua do vento e da água desgastou as diferentes camadas de rocha de maneira desigual. Esse processo expôs anéis concêntricos compostos por rochas sedimentares e ígneas com resistências distintas à erosão, produzindo o aspecto semelhante a uma íris observado atualmente.

Geólogos consideram a Estrutura de Richat um verdadeiro laboratório natural para compreender a evolução da crosta terrestre. A disposição das rochas também ajuda a explicar a origem do fenômeno: no centro da formação estão materiais mais antigos, enquanto os anéis externos apresentam camadas geológicas mais recentes. Para os pesquisadores, esse padrão confirma que a estrutura surgiu a partir de processos internos da Terra e não por impactos vindos do espaço.

O “Olho do Saara” segue despertando fascínio tanto na comunidade científica quanto entre curiosos e turistas. Em meio à vastidão do deserto africano, a formação permanece como um dos exemplos mais impressionantes de como fenômenos naturais podem criar paisagens que parecem saídas da ficção científica.

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