
Por que o Estreito de Ormuz é crucial na guerra Irã-Israel e quem está no comando da rota
Por Sandro Felix
Publicado em 22/06/25 às 13:01
A tensão no Oriente Médio atingiu um novo e preocupante patamar nas últimas horas após os Estados Unidos confirmarem um ataque militar contra o Irã. A ofensiva, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump em comunicado oficial, teve como alvos três instalações nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Isfahã. Segundo Trump, o ataque foi executado com precisão utilizando bombardeiros invisíveis B-2 Spirit.
Todos os nossos aviões retornaram fora do espaço aéreo iraniano e em segurança. A principal instalação, Fordow, recebeu a carga total de bombas, afirmou o presidente nas redes sociais, destacando a eficácia da operação.
Esse movimento dos Estados Unidos surge em um momento de escalada no conflito, que se intensificou após uma ofensiva de Israel contra alvos iranianos dias atrás, seguida de uma resposta imediata do Irã. A ofensiva norte-americana acirra ainda mais a instabilidade na região, levantando preocupações não só sobre as consequências locais, mas também sobre o impacto global, especialmente no mercado de energia.

Estreito de Ormuz: ponto crítico em meio à crise
Em meio à escalada de tensões, o Estreito de Ormuz volta a ser peça-chave na geopolítica mundial. Localizado entre Omã e o Irã, esse canal marítimo é uma das rotas mais estratégicas do mundo, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo comercializado globalmente. Qualquer interrupção nessa passagem pode gerar um efeito dominó sobre o fornecimento de energia, com impactos severos na economia global.
Dados recentes da Bloomberg, corroborados por imagens de satélite, revelam que, mesmo sob pressão militar, o Irã tem conseguido aumentar suas exportações de petróleo. A média diária desde o início dos ataques israelenses é de 2,33 milhões de barris, um aumento de 44% em relação à média anual, segundo dados da plataforma TankerTrackers.com. Além disso, o país mantém uma capacidade de armazenamento robusta, com cerca de 28 milhões de barris na ilha de Kharg, seu principal terminal de exportação.
Autoridades iranianas já sugerem que uma das possíveis respostas ao ataque americano seria o bloqueio total do Estreito de Ormuz, medida que já foi utilizada como ameaça em outras crises ao longo das últimas décadas. Caso ocorra, esse bloqueio poderia retirar do mercado pelo menos 20% da oferta global de petróleo, segundo estimativas do The Washington Post, gerando um impacto devastador para a economia mundial.

O controle do Estreito é atualmente compartilhado entre Irã, Omã e Emirados Árabes Unidos, todos membros da OPEP+, o que aumenta a complexidade diplomática da situação. A região, historicamente instável, já presenciou episódios de tensões semelhantes, como em 2008 e 2011, quando o Irã ameaçou interromper o tráfego marítimo em retaliação às sanções internacionais. Em 2023, os Estados Unidos chegaram a reforçar sua presença militar no Golfo Pérsico após tentativas iranianas de apreender navios mercantes.
Agora, com os EUA assumindo uma postura ofensiva direta, o risco de uma escalada ainda maior no conflito é real, e o Estreito de Ormuz volta a ser o epicentro de uma disputa que transcende fronteiras, afetando diretamente a segurança energética global e os mercados financeiros internacionais.
