Pesquisadores de Stanford criam molécula que faz células cancerígenas se autodestruírem

Pesquisadores de Stanford criam molécula que faz células cancerígenas se autodestruírem

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Publicado em 04/11/24 às 16:04

Cientistas da Universidade de Stanford anunciaram uma descoberta promissora no combate ao câncer: uma nova técnica que reativa o processo de autodestruição celular, conhecido como apoptose, em células cancerígenas. Esse processo, essencial para a renovação e equilíbrio das células no corpo humano, é interrompido em alguns tipos de câncer, como o linfoma difuso de grandes células B. Agora, a equipe de Stanford desenvolveu uma molécula bioengenheirada capaz de restaurar a apoptose nessas células mutantes, levando-as a se autodestruírem.

A pesquisa, publicada recentemente, descreve o desenvolvimento de uma molécula que se liga a duas proteínas específicas já presentes nas células cancerígenas: a BCL6, um oncogene que suprime a apoptose, e a CDK9, uma enzima que ativa a expressão de genes. A união dessas proteínas por meio da nova molécula impede que o câncer “se proteja” da morte celular programada, fazendo com que o próprio tumor se torne o agente de sua destruição.

Gerald Crabtree, professor de biologia do desenvolvimento e um dos autores do estudo, revelou que teve a ideia para o projeto durante uma caminhada na montanha Kings, na Califórnia, durante o período de pandemia. Crabtree explicou que o objetivo da pesquisa é criar uma técnica de alta especificidade, capaz de eliminar bilhões de células cancerígenas sem prejudicar células saudáveis. “Queremos eliminar as células-alvo com precisão, sem afetar outras células ao redor,” explicou o professor.

Células cancerigenas

Tradicionalmente, o tratamento de cânceres envolve o ataque direto aos oncogenes, mas esse novo estudo inverte essa abordagem ao utilizar o próprio oncogene BCL6 como um “interruptor” para ativar a apoptose. “Estamos usando algo do qual o câncer depende para sobreviver e transformando isso naquilo que irá destruí-lo,” acrescentou Crabtree.

Testes laboratoriais e primeiros resultados promissores

Nos testes iniciais em laboratório, a molécula foi aplicada em células de linfoma difuso de grandes células B e conseguiu eliminar as células cancerígenas sem causar danos às células saudáveis. Em experimentos com camundongos saudáveis, a molécula também demonstrou segurança, sem efeitos tóxicos significativos sobre as células normais. No entanto, os cientistas notaram que o composto afeta especificamente as células B, um tipo de célula do sistema imunológico que contém a versão não mutada da proteína BCL6.

Agora, a equipe de Stanford está avançando para uma nova fase de testes em camundongos que foram afetados pelo linfoma difuso de grandes células B, visando avaliar se a técnica será eficaz em organismos vivos. O método depende da presença natural das proteínas BCL6 e CDK9 nas células-alvo, o que significa que poderá ser mais eficaz em linfomas específicos, com menor probabilidade de aplicação em outros tipos de câncer.

Células

Com essas descobertas, a equipe de Stanford pode estar a um passo de revolucionar o tratamento do câncer. Os próximos passos dos pesquisadores incluem expandir os testes para confirmar a segurança e eficácia do tratamento em modelos animais, com a expectativa de, futuramente, avançar para ensaios clínicos em humanos.

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