Estudo sugere que população mundial pode cair pela metade até 2064

Estudo sugere que população mundial pode cair pela metade até 2064

Data

Publicado em 31/05/26 às 07:11

A população mundial poderá ser reduzida pela metade nas próximas quatro décadas caso fatores como degradação ambiental, escassez de recursos e instabilidade global se intensifiquem de forma significativa. A conclusão faz parte de um estudo publicado na revista científica Chaos, Solitons & Fractals, que utiliza modelos matemáticos originalmente desenvolvidos para a física da matéria condensada para analisar a evolução demográfica da humanidade.

A pesquisa foi conduzida pelo físico Alessio Zaccone, da Universidade de Milão, em parceria com o falecido cientista Kostya Trachenko. O trabalho propõe uma abordagem inédita ao aplicar equações utilizadas para descrever o comportamento de materiais complexos, como o vidro, à dinâmica populacional observada ao longo de milhares de anos.

Segundo os autores, a mesma estrutura matemática capaz de explicar fenômenos físicos em sistemas desordenados também reproduz diferentes fases do crescimento populacional humano desde o período neolítico até os dias atuais. A descoberta surgiu após a análise de estudos recentes que identificaram padrões semelhantes entre processos físicos e históricos de crescimento populacional.

população mundial

O cenário que mais chamou atenção prevê uma possível redução de aproximadamente 50% da população global até 2064. No entanto, os pesquisadores ressaltam que essa projeção não deve ser interpretada como uma previsão definitiva. De acordo com Zaccone, trata-se de um exercício matemático elaborado para testar situações extremas, funcionando como uma espécie de “teste de estresse” aplicado ao sistema demográfico mundial.

“O objetivo é entender como sistemas complexos podem reagir quando determinados limites críticos são ultrapassados”, explicou o pesquisador. Segundo ele, o modelo considera fatores como disponibilidade de recursos naturais, capacidade ambiental de suporte, avanços tecnológicos, mudanças nas taxas de fertilidade, pandemias, crises geopolíticas e resiliência social.

Os autores afirmam que a humanidade já passou por diferentes regimes de crescimento populacional ao longo da história, cada um influenciado por condições econômicas, tecnológicas e ambientais específicas. Por isso, o estudo reconhece que não existe um único parâmetro capaz de explicar toda a trajetória demográfica dos últimos 12 mil anos.

A proposta surge em um contexto de crescente preocupação com os impactos das mudanças climáticas, do envelhecimento populacional em diversas regiões e da desaceleração das taxas de natalidade em países desenvolvidos e emergentes. Embora o modelo matemático permita visualizar cenários de forte declínio populacional, os pesquisadores destacam que avanços tecnológicos e adaptações sociais podem alterar significativamente qualquer trajetória futura.

Para Zaccone, o principal resultado do estudo não está na possibilidade de um colapso demográfico, mas na demonstração de que a população mundial se comporta como um sistema altamente complexo e potencialmente instável. Em sua avaliação, compreender essa dinâmica é essencial para antecipar riscos e formular políticas públicas capazes de aumentar a capacidade de adaptação da sociedade diante de desafios globais.

O pesquisador também destaca que a pesquisa reforça uma tendência crescente na ciência contemporânea: o uso de ferramentas desenvolvidas pela física para compreender fenômenos sociais, econômicos e ambientais. Áreas como epidemiologia, inteligência artificial, mudanças climáticas e sistemas financeiros já vêm sendo estudadas por meio de modelos semelhantes.

Apesar do impacto provocado pelo cenário mais pessimista apresentado no estudo, os autores enfatizam que não consideram uma redução drástica da população mundial como o desfecho mais provável. Ainda assim, defendem que a análise de cenários extremos é fundamental para compreender como sistemas complexos podem reagir de maneira abrupta quando submetidos a pressões intensas.

A pesquisa reforça um alerta recorrente da comunidade científica: embora o futuro demográfico permaneça incerto, a interação entre sociedade, tecnologia e meio ambiente continuará desempenhando papel decisivo na definição dos rumos da população global nas próximas décadas.

Deixe seu comentário

Deixe um comentário