Fabricantes de memória enfrentam ação coletiva nos EUA por suposto esquema que teria elevado preços de módulos para PCs e consoles

Fabricantes de memória enfrentam ação coletiva nos EUA por suposto esquema que teria elevado preços de módulos para PCs e consoles

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Publicado em 29/06/26 às 13:56

Uma ação coletiva protocolada nos Estados Unidos acusa as fabricantes Micron, Samsung e SK Hynix de coordenarem uma estratégia para reduzir artificialmente a oferta de determinados tipos de memória DRAM, provocando aumento de preços e impactos em toda a cadeia de hardware voltada ao consumidor. A denúncia sustenta que a suposta prática teria favorecido a produção de memórias de alto desempenho destinadas ao mercado de inteligência artificial, em detrimento dos módulos utilizados em computadores pessoais e consoles de videogame.

Segundo a ação, apresentada por consumidores e empresas, as três companhias teriam restringido a fabricação de memórias DDR3 e DDR4, amplamente empregadas em PCs, notebooks, consoles e dispositivos portáteis, ao mesmo tempo em que ampliaram o foco na produção de memórias HBM (High Bandwidth Memory), tecnologia utilizada em aceleradores de inteligência artificial e servidores de alto desempenho.

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Os autores do processo afirmam que a escassez de memória convencional não seria consequência apenas da crescente demanda por aplicações de inteligência artificial, mas resultado de uma estratégia coordenada entre os principais fabricantes do setor. A acusação descreve o suposto esquema como “RAMageddon”, termo utilizado para caracterizar uma alegada limitação deliberada da oferta com o objetivo de elevar preços e maximizar receitas.

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Suposta coordenação teria favorecido mercado de inteligência artificial

De acordo com a denúncia, as empresas teriam reduzido simultaneamente a produção de DRAM convencional enquanto direcionavam investimentos para memórias HBM, cuja demanda cresceu rapidamente com a expansão dos centros de processamento dedicados à inteligência artificial. Como esses clientes pagam valores significativamente superiores pelos componentes, a mudança de estratégia teria aumentado a rentabilidade das fabricantes.

Os autores da ação alegam ainda que essa política teria provocado forte alta nos preços das memórias DDR3 e DDR4, afetando diretamente consumidores, fabricantes de computadores e a indústria de videogames. Consoles lançados há vários anos e componentes para montagem de PCs passaram a registrar preços elevados, cenário frequentemente atribuído à maior demanda da inteligência artificial.

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A petição afirma que os três fabricantes, responsáveis por grande parte da produção mundial de DRAM, atuariam como um oligopólio capaz de influenciar significativamente a oferta global desses componentes. Segundo o documento, a redução simultânea da produção e a migração para memórias HBM teriam contribuído para uma escalada rápida dos preços.

O caso também resgata episódios anteriores envolvendo o mercado de memórias. Em 2005, Samsung e Micron admitiram participação em um esquema internacional de fixação de preços de DRAM e aceitaram pagar multas milionárias às autoridades norte-americanas. Anos depois, entre 2016 e 2018, órgãos reguladores da China investigaram Samsung, Micron e SK Hynix por suspeitas semelhantes, embora a apuração não tenha resultado em sanções por falta de provas conclusivas.

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Agora, caberá às empresas contestar as acusações apresentadas na Justiça. Caso as alegações sejam confirmadas durante o processo, o caso poderá reacender o debate sobre concorrência no mercado global de semicondutores e sobre os efeitos da crescente demanda por infraestrutura de inteligência artificial na disponibilidade e no preço de componentes destinados ao consumidor final.

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