Como ocorreu o ataque hacker de US$ 6,3 bilhões à Binance?

Como ocorreu o ataque hacker de US$ 6,3 bilhões à Binance?

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Publicado em 02/11/26 às 07:31

A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, sofreu um ataque hacker que resultou no roubo de mais de US$ 6 bilhões em ativos digitais. A invasão, registrada na quinta-feira (29 de outubro), foi atribuída a um grupo de hackers da Coreia do Norte e levou a empresa a suspender temporariamente depósitos e saques enquanto tentava conter os prejuízos.

Segundo uma reportagem do The New York Times, a movimentação suspeita começou por volta das 16h20, quando grandes quantidades de criptomoedas passaram a sair das contas da plataforma. A dimensão das transferências levou a Binance a mobilizar aproximadamente 100 funcionários, incluindo especialistas em segurança e rastreamento de transações.

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A operação de emergência reuniu executivos em diferentes países. He Yi, copresidente-executiva da Binance, acompanhou os trabalhos durante a madrugada em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, enquanto equipes especializadas tentavam identificar o caminho percorrido pelos valores roubados.

O fundador da corretora, Changpeng Zhao, também passou a comentar publicamente o ataque pelo X. Embora não ocupe mais um cargo executivo na empresa, Zhao procurou tranquilizar os clientes, afirmando que os recursos dos usuários estavam protegidos.

“É doloroso, mas vamos sobreviver”, escreveu o empresário.

Hackers norte-coreanos são apontados como responsáveis pelo ataque

As empresas de análise de blockchain Chainalysis e TRM Labs identificaram indícios de que o ataque foi realizado pelo TraderTraitor, grupo de hackers ligado à Coreia do Norte. A atribuição também foi confirmada pelo FBI, segundo a reportagem.

Ainda não está claro como os invasores conseguiram ultrapassar os sistemas de segurança da Binance. Uma investigação preliminar apontou para um notebook comprometido, mas a corretora informou posteriormente que havia identificado outros possíveis pontos de invasão.

O ataque também chamou a atenção pela velocidade com que os criminosos começaram a movimentar os ativos roubados.

De acordo com a Chainalysis, os hackers utilizaram métodos de lavagem de criptomoedas que ainda não haviam sido observados pela empresa. Milhares de transações foram realizadas em um curto intervalo, possivelmente com o auxílio de ferramentas automatizadas.

A movimentação pôde ser acompanhada por especialistas porque as transações realizadas em redes públicas de blockchain ficam registradas em sistemas acessíveis para consulta.

O grupo norte-coreano já havia sido associado a outras operações contra empresas do setor. Em fevereiro de 2025, hackers da Coreia do Norte roubaram aproximadamente US$ 1,5 bilhão da Bybit, outra grande corretora de criptomoedas.

Segundo autoridades ocidentais, o regime norte-coreano utiliza recursos obtidos com crimes digitais para financiar programas militares, incluindo o desenvolvimento de armas nucleares.

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Binance reserva US$ 6,34 bilhões para cobrir perdas

Enquanto os especialistas rastreavam as criptomoedas, outras empresas do setor começaram a bloquear ativos relacionados ao ataque.

A Tether e a Circle, responsáveis por duas das principais stablecoins do mercado, congelaram conjuntamente mais de US$ 2 bilhões em criptomoedas associadas aos invasores. A Binance informou que trabalha para recuperar o acesso a esses valores.

Apesar disso, a TRM Labs estimou que aproximadamente US$ 2,4 bilhões já estavam fora do alcance dos emissores de moedas digitais, dificultando eventuais tentativas de bloqueio.

Na sexta-feira (30), a Binance anunciou que havia reservado US$ 6,34 bilhões para cobrir as perdas provocadas pela invasão. A empresa não divulga publicamente o valor total de suas reservas, o que impede uma avaliação independente de sua capacidade financeira.

He Yi afirmou que a receita anual da corretora seria suficiente para absorver o prejuízo. A executiva também reconheceu falhas na estratégia de proteção da plataforma.

Em um vídeo publicado no X, ela declarou que a Binance deveria ter investido mais cedo e de maneira mais ampla em segurança, além de estabelecer padrões internos mais rigorosos.

A executiva também apontou o avanço da inteligência artificial como um fator que torna os ataques digitais uma ameaça crescente para todo o setor de criptomoedas.

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Empresa ligada à família Trump ajuda a bloquear criptomoedas roubadas

O ataque também envolveu a World Liberty Financial, empresa de criptomoedas ligada à família do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Zach Witkoff, presidente-executivo da companhia, anunciou o congelamento de US$ 27 milhões em USD, stablecoin emitida pela World Liberty, que estavam associados à invasão da Binance.

A relação entre as duas empresas já existia antes do incidente. A Binance havia estabelecido uma parceria comercial com a World Liberty Financial, enquanto Zhao recebeu um perdão presidencial de Trump em outubro de 2025, após sua condenação por violações relacionadas às regras de combate à lavagem de dinheiro.

A própria Binance havia se declarado culpada dessas infrações em 2023, concordando em pagar US$ 4,3 bilhões em penalidades às autoridades americanas. Zhao cumpriu uma pena de quatro meses de prisão.

O presidente americano chegou a comentar o ataque quando foi questionado por um jornalista na sexta-feira. Trump demonstrou preocupação com os riscos do mercado de criptomoedas, mas afirmou ter recebido informações de que a situação estava praticamente sob controle.

A crise também provocou uma troca de mensagens entre Zhao e Elon Musk. O empresário reagiu a uma publicação que comparava o fundador da Binance a Sam Bankman-Fried, responsável pela FTX, corretora que entrou em colapso em 2022.

Zhao pediu que Musk interrompesse as provocações e mencionou que a Binance possui mais de US$ 1 bilhão em ações da SpaceX. He Yi respondeu que a companhia não precisava vender essa participação para cobrir os prejuízos.

Internamente, He Yi e o outro copresidente-executivo da Binance, Richard Teng, orientaram os funcionários a evitar especulações e manter a disciplina durante a resposta ao incidente.

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A Binance segue trabalhando com empresas especializadas em rastreamento de criptomoedas e com emissores de ativos digitais para tentar recuperar parte dos recursos desviados. Até o momento, uma parcela bilionária dos valores roubados permanece fora do alcance dos mecanismos de congelamento.

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