Microsoft anuncia 3.200 demissões no Xbox e o encerramento de 4 estúdios

Microsoft anuncia 3.200 demissões no Xbox e o encerramento de 4 estúdios

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Publicado em 06/07/26 às 16:21

A Microsoft vai promover uma ampla reestruturação em sua divisão de jogos, com a eliminação de 3.200 postos de trabalho no Xbox até o fim do ano fiscal de 2027 e a saída de quatro estúdios da estrutura da empresa. A mudança foi apresentada pela nova diretora-executiva da área, Asha Sharma, como “a reestruturação mais significativa da história do Xbox” e marca um redesenho profundo da operação de games da companhia.

Segundo comunicado enviado aos funcionários e depois publicado no blog oficial da marca, a empresa iniciou nesta segunda-feira (6) uma primeira rodada de demissões que atinge cerca de 1.600 trabalhadores, o equivalente a 8% da divisão. Outros 1.600 desligamentos devem ocorrer ao longo dos próximos meses, até julho do ano que vem. O número, porém, não inclui os profissionais que deixarão a Microsoft em razão da separação de estúdios que hoje fazem parte do ecossistema Xbox.

A reformulação atinge Xbox Game Studios, Activision, Blizzard, King e ZeniMax, grupo que reúne selos como Bethesda, id Software e MachineGames. Em paralelo, a empresa reorganizou a cadeia de comando e alterou a estrutura de gestão de áreas estratégicas, como Mojang, responsável por Minecraft, e King, dona de Candy Crush, que passarão a se reportar diretamente a Sharma.

No texto, a executiva afirma que o atual desenho do negócio se tornou grande demais e deixou de ser sustentável. Ela sustenta que a companhia precisa “reiniciar” seu catálogo, sua plataforma e a forma como o Xbox opera internamente, após anos de expansão sem o crescimento esperado em vendas de consoles, tempo de uso e rentabilidade.

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Quatro estúdios deixam o Xbox, e futuro da Arkane segue indefinido

Entre os movimentos mais relevantes da reestruturação está a saída de quatro estúdios da estrutura da Microsoft. Double Fine Productions, conhecida por séries como Psychonauts e Brütal Legend, e Compulsion Games, de We Happy Few e South of Midnight, passarão a atuar de forma independente.

Ninja Theory, de Hellblade: Senua’s Sacrifice e DmC: Devil May Cry, e Undead Labs, da franquia State of Decay, também deixarão o guarda-chuva do Xbox, mas em um arranjo diferente. Segundo a empresa, ambas já acertaram os termos para integrar uma nova companhia, que receberá financiamento para concluir e desenvolver seus próximos projetos, entre eles Senua e State of Decay 3.

A situação da Arkane Studios, responsável por Dishonored e atualmente envolvida no desenvolvimento de Marvel’s Blade, ainda não foi definida. O estúdio entrou em um período de consultas exigido pela legislação trabalhista francesa, etapa que costuma anteceder decisões sobre reorganização societária ou cortes de pessoal. A Microsoft, por ora, não informou se a desenvolvedora será mantida na estrutura do Xbox, se ganhará autonomia ou se enfrentará redução de operações.

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Apesar do tamanho da mudança, Sharma afirma que nenhum dos jogos já anunciados pelas empresas afetadas foi cancelado. Ela não detalhou, no entanto, se projetos ainda não revelados ao público foram interrompidos ou redimensionados.

Em outra frente, a executiva promoveu mudanças no organograma da divisão. Helen Chiang, que liderava o Mojang e já havia comandado áreas ligadas ao Xbox Live, foi nomeada diretora de operações do Xbox. Ela substitui Dave McCarthy, que deixa o cargo após 17 anos na companhia. A movimentação reforça a tentativa de centralizar decisões e integrar áreas que, segundo a própria Microsoft, vinham atuando de forma excessivamente isolada.

Sharma fala em “negócio não saudável” e promete enxugamento da estrutura

Na carta aos funcionários, Sharma adota um diagnóstico duro sobre a situação da divisão de games. “Nosso negócio atual não é saudável”, escreveu. A executiva argumenta que as apostas recentes da empresa — como a ampliação do Xbox Game Pass e a publicação de jogos em consoles da concorrência — não produziram o nível de crescimento esperado. Ela cita ainda o impacto da crise de componentes eletrônicos, a desaceleração do mercado de consoles e uma base instalada menor de aparelhos Xbox nas residências.

De acordo com a executiva, a empresa perde hoje 64 centavos para cada dólar investido na operação de games. Na avaliação dela, o Xbox disputa atenção e receita não apenas com grandes editoras, mas também com desenvolvedores independentes, que passaram a ocupar fatias crescentes do mercado. A proposta da nova gestão é oferecer a esses criadores “ferramentas de desenvolvimento abertas” e acesso a uma audiência maior, ao mesmo tempo em que os recursos internos serão redirecionados para projetos considerados prioritários.

A reestruturação também pretende simplificar a máquina corporativa. Sharma afirma que a área de plataforma do Xbox opera atualmente com até 14 níveis de gestão entre as equipes e a alta liderança, o que tornaria decisões lentas e custosas. A meta é reduzir esse número para no máximo cinco camadas — ou três, no cenário ideal. O gasto com ferramentas e softwares de terceiros também deverá cair pela metade.

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Segundo a executiva, a área de plataforma cresceu 40% desde 2020, mesmo com a redução da base de jogadores e do tempo de uso. Para ela, a expansão da estrutura não foi acompanhada de melhora proporcional no desempenho do negócio. O diagnóstico serviu de base para o plano de enxugamento e para a revisão do funcionamento dos estúdios.

A nova estratégia prevê uma atuação mais coordenada entre as diferentes divisões do Xbox. Hoje, segundo Sharma, as equipes trabalham de maneira muito autônoma, sem uma meta única que organize prioridades e investimentos. A intenção é aproximar estúdios, áreas de tecnologia, publishing e serviços sob uma direção central mais rígida.

A executiva tenta, no entanto, afastar a leitura de que a empresa está encolhendo o negócio de games. No comunicado, afirma que a meta é construir “um futuro mais promissor para o Xbox, não um futuro menor”. Também diz que a Microsoft seguirá investindo na divisão “tanto quanto sempre investiu”, mas com mais foco, disciplina e clareza.

Sharma encerra a mensagem com uma promessa de retomada a partir de 2027, ano em que a companhia espera voltar a registrar crescimento sustentado em sua operação de jogos. Para isso, aposta em uma combinação de franquias já consolidadas, reorganização da estrutura interna e uma nova relação entre a plataforma Xbox e os estúdios sob sua influência. Ao final da carta, a executiva resume o espírito da mudança com um recado direto aos funcionários: a longevidade de uma empresa, escreveu, não pode ser confundida com inevitabilidade.

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