LG e Nvidia ampliam parceria em IA e preparam robô humanoide para 2027

LG e Nvidia ampliam parceria em IA e preparam robô humanoide para 2027

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Publicado em 16/08/26 às 07:11

A LG e a Nvidia assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação em inteligência artificial, com projetos que envolvem robótica, fábricas inteligentes, data centers e veículos. O acordo aproxima duas companhias que já atuavam juntas em diferentes frentes e estabelece uma estratégia mais ampla para levar sistemas de IA do ambiente digital para máquinas capazes de operar no mundo físico.

O entendimento foi firmado durante uma visita de Kwang Mo Koo, presidente da LG Corp., à sede da Nvidia em Santa Clara, na Califórnia, onde ele se reuniu com Jensen Huang, fundador e CEO da fabricante americana de chips.

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A parceria coloca a chamada IA física no centro dos próximos projetos da LG. O conceito envolve sistemas capazes de interpretar informações do ambiente, tomar decisões e executar ações no mundo real, como ocorre em robôs, veículos autônomos e equipamentos industriais.

Na prática, a LG pretende combinar sua experiência em fabricação, eletrônicos e componentes com as plataformas de computação e inteligência artificial desenvolvidas pela Nvidia. A cooperação também permite que diferentes empresas do conglomerado sul-coreano participem de uma mesma cadeia tecnológica.

Um dos primeiros resultados dessa estratégia deverá aparecer na robótica. A LG planeja apresentar um robô humanoide bípede no primeiro trimestre de 2027, projeto que deverá utilizar tecnologias da Nvidia tanto para processamento quanto para inteligência artificial.

A previsão é que o equipamento seja baseado na plataforma Jetson Thor, criada para executar cargas de IA diretamente em robôs, e utilize tecnologias da família Isaac GR00T, desenvolvida pela Nvidia para sistemas humanoides.

Com isso, a LG pretende avançar além dos robôs especializados em tarefas previamente definidas. A meta é desenvolver máquinas capazes de compreender melhor o ambiente e adaptar suas ações às situações encontradas durante a operação.

Fábrica nos EUA será campo de testes para robôs

Antes da chegada do humanoide, porém, a LG pretende testar sua estratégia dentro das próprias fábricas. O CLOiD, robô sobre rodas desenvolvido pela companhia, será levado à unidade de produção de máquinas de lavar no Tennessee, nos Estados Unidos.

A fábrica funcionará como ambiente de validação da tecnologia. Em vez de limitar os testes a laboratórios, a empresa pretende colocar o robô em situações reais de produção para avaliar sua capacidade de executar tarefas, movimentar-se no ambiente industrial e interagir com processos já existentes.

Os resultados obtidos no Tennessee deverão orientar a expansão do CLOiD para outras unidades produtivas da LG. Caso o projeto alcance o desempenho esperado, a intenção é levar gradualmente a tecnologia para fábricas do grupo em diferentes países.

A estratégia não termina no ambiente industrial. A LG vê espaço para que sistemas derivados desses projetos sejam utilizados também em estabelecimentos comerciais e residências, embora cada aplicação exija adaptações próprias.

Esse plano ajuda a explicar por que a empresa trata a robótica como um projeto do grupo, e não apenas de uma divisão específica. Pelo conceito “One LG”, diferentes subsidiárias podem contribuir com componentes e tecnologias para uma mesma plataforma.

A LG Energy Solution, por exemplo, atua em baterias, enquanto a LG Innotek desenvolve componentes eletrônicos, câmeras e sensores. A LG Electronics, por sua vez, reúne experiência em eletrodomésticos, sistemas comerciais, veículos e robótica. A combinação dessas áreas permite que parte relevante da cadeia necessária para desenvolver máquinas inteligentes permaneça dentro do próprio conglomerado.

A Nvidia entra nessa estrutura principalmente com a camada computacional. A companhia vem ampliando seus investimentos em plataformas destinadas a robôs e outros sistemas físicos, incluindo processadores para executar modelos de IA localmente e ferramentas para treinamento e simulação.

jetson-thor

A parceria, portanto, não se limita ao fornecimento de chips para um determinado robô. O plano é construir uma infraestrutura que permita desenvolver os modelos, treiná-los em grande escala, testá-los em ambientes simulados e posteriormente executá-los nas máquinas.

É nesse ponto que os projetos de robótica se conectam a outra frente do acordo: a construção de infraestrutura de data centers dedicada à inteligência artificial.

A LG trabalha em um data center baseado na plataforma Vera Rubin, da Nvidia, com previsão de conclusão no primeiro semestre de 2027. A instalação deverá servir como referência para a experiência do grupo com grandes cargas de computação voltadas à IA.

O conhecimento acumulado no projeto deverá ser utilizado posteriormente na LG AI Factory, planejada para Cheonan, na Coreia do Sul. A previsão é que essa infraestrutura entre em operação no primeiro semestre de 2028 e alcance capacidade de computação de 80 MW.

LG AI Factory

Mais do que manter servidores para aplicações convencionais, a estrutura deverá fornecer capacidade para treinar modelos próprios de inteligência artificial, inclusive aqueles destinados aos futuros robôs da companhia.

A lógica é criar um ciclo integrado. Os modelos podem ser treinados e simulados na infraestrutura de IA, transferidos para os robôs e, depois, avaliados nas fábricas da própria LG. As informações obtidas durante a operação podem retornar ao processo de desenvolvimento para aperfeiçoar os sistemas.

Ao dominar essas diferentes etapas, a companhia também pretende transformar sua experiência em uma referência para projetos de infraestrutura de terceiros. A AI Factory poderá funcionar como vitrine de soluções de data centers de IA oferecidas em um modelo integrado.

Parceria também mira próxima geração de veículos

A mesma estrutura tecnológica deverá chegar ao setor automotivo. Outra frente prevista na colaboração entre LG e Nvidia envolve o desenvolvimento de veículos com recursos avançados de inteligência artificial.

A LG pretende utilizar a plataforma Drive Hyperion, da Nvidia, em conjunto com seus sistemas de infoentretenimento e eletrônica automotiva. A ideia é oferecer às montadoras uma arquitetura capaz de combinar recursos de cabine baseados em IA com tecnologias de assistência e direção automatizada.

A iniciativa reforça uma transformação que já ocorre na indústria automobilística, na qual o software assume uma parcela cada vez maior das funções do veículo. Recursos de entretenimento, reconhecimento de voz, assistência ao motorista e automação passam a depender de plataformas computacionais mais poderosas e integradas.

Para a LG, essa mudança abre espaço para ampliar sua atuação como fornecedora da indústria automotiva. Em vez de oferecer apenas componentes isolados, o grupo busca participar de sistemas que reúnem hardware, software e inteligência artificial.

inteligência artificial

A movimentação ocorre enquanto outros grandes conglomerados sul-coreanos também aumentam seus investimentos em robótica e eletrônica automotiva. A Samsung, uma das principais concorrentes da LG, criou a divisão Robotics eXperience para concentrar iniciativas envolvendo robôs humanoides, equipamentos industriais e tecnologias relacionadas. O grupo também possui presença no mercado automotivo por meio da Harman.

A disputa ajuda a mostrar por que a parceria com a Nvidia ocupa uma posição estratégica para a LG. Robótica, veículos e fábricas inteligentes parecem áreas distintas, mas compartilham uma necessidade comum: grandes volumes de computação para treinar modelos e capacidade de executar inteligência artificial rapidamente no equipamento final.

É justamente essa conexão que o novo acordo procura fortalecer. Enquanto a Nvidia fornece plataformas de computação, modelos e ferramentas para IA física, a LG possui fábricas, produtos e diferentes empresas capazes de transformar essas tecnologias em aplicações comerciais.

Ao comentar a colaboração, Kwang Mo Koo afirmou que as discussões entre as empresas avançaram rapidamente e que objetivos e responsabilidades ficaram claros. A intenção da LG é acelerar a adoção da inteligência artificial criando projetos que possam servir de referência para outras aplicações do grupo.

Jensen Huang, por sua vez, vem defendendo a IA física como uma das próximas grandes etapas do desenvolvimento da inteligência artificial. Nesse cenário, modelos deixam de atuar exclusivamente dentro de computadores e passam a controlar máquinas que precisam perceber o ambiente, raciocinar e agir de maneira segura.

A parceria entre LG e Nvidia busca transformar essa visão em projetos concretos. O robô humanoide previsto para 2027 é a parte mais visível da estratégia, mas está conectado a uma estrutura maior que inclui fábricas usadas como campos de testes, data centers para treinamento de modelos e plataformas automotivas.

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Se o cronograma for mantido, os próximos dois anos serão decisivos para essa estratégia. A LG pretende sair de projetos isolados de inteligência artificial para um ecossistema no qual infraestrutura, robôs, fábricas e veículos compartilham tecnologias desenvolvidas em conjunto com a Nvidia.

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