Oracle prepara nova rodada de demissões em meio a gastos bilionários com inteligência artificial

Oracle prepara nova rodada de demissões em meio a gastos bilionários com inteligência artificial

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Publicado em 12/08/26 às 16:38

Funcionários da Oracle se preparam para uma nova rodada de demissões enquanto a companhia amplia os investimentos em infraestrutura para inteligência artificial e enfrenta pressão para controlar custos e o endividamento. Em algumas equipes, os cortes poderão atingir percentuais de dois dígitos, segundo informações publicadas pelo Business Insider.

Gestores da empresa teriam sido orientados a elaborar listas com os funcionários que poderão ser afetados pela redução. O objetivo seria diminuir as despesas com pessoal até o início do segundo trimestre fiscal da companhia, em 1º de setembro de 2026.

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Esta será a segunda grande redução de pessoal da empresa neste ano. Em abril, surgiram relatos de uma reorganização global que teria atingido cerca de 12 mil trabalhadores. Na ocasião, as informações apontavam para um plano mais amplo que poderia alcançar aproximadamente 30 mil empregados em diferentes países.

Os números divulgados pela própria companhia sobre sua força de trabalho indicam uma retração significativa no último exercício. No ano fiscal de 2026, encerrado em 31 de maio, o quadro de funcionários diminuiu em cerca de 21 mil pessoas, considerando tanto desligamentos promovidos pela empresa como saídas voluntárias.

Atualmente, a Oracle teria aproximadamente 141 mil funcionários em diferentes áreas.

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O movimento ocorre enquanto grandes empresas de tecnologia direcionam volumes crescentes de recursos para data centers, servidores e chips necessários para atender à expansão da inteligência artificial. No caso da Oracle, essa corrida está transformando uma companhia historicamente associada a bancos de dados e software empresarial em uma operação cada vez mais dependente de infraestrutura física e investimentos intensivos em capital.

A empresa desembolsou US$ 55,7 bilhões em infraestrutura durante o ano fiscal de 2026, incluindo novos data centers. De acordo com os números apresentados pelo Business Insider, os investimentos fizeram a companhia gastar US$ 23,7 bilhões em caixa além do montante gerado no período.

Para financiar a expansão, a Oracle vem recorrendo a bilhões de dólares em empréstimos e também a financiamento por meio de capital próprio. A estratégia amplia sua capacidade de disputar o mercado de computação em nuvem voltado à IA, mas aumenta a necessidade de demonstrar que o crescimento futuro será suficiente para justificar os investimentos.

Crescimento da nuvem aumenta pressão sobre custos

O contraste entre expansão e contenção aparece nos resultados recentes da companhia. No ano fiscal de 2026, a receita de nuvem da Oracle avançou 77%, enquanto a receita total aumentou 17%, impulsionada pela demanda por capacidade computacional relacionada à inteligência artificial.

O desempenho mostra que a companhia está conseguindo capturar parte da forte procura por infraestrutura de IA. Ao mesmo tempo, porém, a escala dos investimentos coloca a rentabilidade e a geração de caixa no centro das preocupações dos investidores.

As ações da Oracle registraram queda neste ano em meio às dúvidas sobre a sustentabilidade de um programa de expansão que exige elevados desembolsos antes que toda a capacidade instalada comece a produzir retorno.

A situação evidencia uma das contradições da atual corrida pela inteligência artificial. O aumento da procura por processamento computacional abre novas fontes de receita para empresas de tecnologia, mas atender a essa demanda exige data centers, equipamentos de rede, energia e grandes quantidades de chips especializados.

Esse cenário é particularmente relevante para a Oracle porque a empresa concorre com grupos como Microsoft, Amazon e Google, que possuem operações mais diversificadas e maiores reservas financeiras. Para diminuir a diferença em infraestrutura, a Oracle assumiu compromissos financeiros significativos e passou a buscar economias em outras áreas da operação.

A folha de pagamento aparece como uma dessas frentes. A nova rodada de cortes, caso confirmada, reforçaria uma estratégia na qual a expansão dos investimentos em inteligência artificial ocorre simultaneamente à redução de despesas operacionais.

Os custos das reestruturações anteriores também cresceram de forma expressiva. No exercício fiscal de 2026, a Oracle teria desembolsado cerca de US$ 1,84 bilhão com indenizações e outras despesas relacionadas a reorganizações, ante US$ 374 milhões no exercício anterior.

A diferença mostra que a transformação da companhia não se restringe à construção de infraestrutura. Ela também envolve mudanças na composição da força de trabalho e na distribuição de recursos entre as áreas consideradas prioritárias.

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Para os funcionários, a possibilidade de novos desligamentos amplia a incerteza poucos meses depois da rodada anterior. Para os investidores, a questão central é se o rápido crescimento da receita de nuvem será capaz de compensar os custos e as obrigações financeiras assumidas para ampliar a capacidade de computação.

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