
Supercomputador chinês “LineShine” supera seu equivalente americano e se torna o primeiro a ultrapassar 2 exaflops
Por Sandro Felix
Publicado em 27/06/26 às 16:49
A China voltou ao topo do ranking dos supercomputadores mais potentes do mundo após quase uma década. A 67ª edição da lista TOP500, divulgada na terça-feira (23), colocou o sistema LineShine na primeira posição, desbancando o norte-americano El Capitan, que ocupava a liderança desde novembro de 2024.
Instalado no Centro Nacional de Supercomputação de Shenzhen (NSCS) e desenvolvido pelo Centro de Computação em Nuvem de Shenzhen, o LineShine utiliza 13,79 milhões de núcleos de processamento baseados em chips desenvolvidos na própria China.
O principal diferencial do equipamento está em sua capacidade de processamento sustentado. Segundo a avaliação do benchmark High Performance Linpack (HPL), referência internacional para medir o desempenho de supercomputadores, o LineShine alcançou 2,198 exaflops em cálculos de dupla precisão (64 bits), tornando-se o primeiro sistema baseado exclusivamente em CPUs a ultrapassar a marca de 2 exaflops nesse teste.
Um exaflop corresponde à capacidade de executar um quintilhão (10¹⁸) de operações de ponto flutuante por segundo. Esse tipo de cálculo é fundamental para aplicações científicas que exigem elevado grau de precisão, como simulações climáticas, pesquisas em física, engenharia e segurança nacional.
O desempenho registrado representa cerca de 80% da capacidade máxima teórica do equipamento, estimada em 2,736 exaflops. Para efeito de comparação, seria necessário aproximadamente um milhão de smartphones equivalentes ao iPhone 17 Pro Max para atingir um poder computacional semelhante.

Apesar da perda da liderança, o El Capitan, instalado no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia, continua apresentando o maior desempenho teórico entre todos os sistemas do ranking, com pico de 2,746 exaflops. No entanto, seu desempenho sustentado no teste HPL ficou em 1,809 exaflop, abaixo do resultado obtido pelo supercomputador chinês.
Além do LineShine e do El Capitan, apenas outros três sistemas ultrapassam a barreira do exaflop no ranking atual. O Frontier, localizado no Laboratório Nacional Oak Ridge, no Tennessee, registrou desempenho sustentado de 1,353 exaflop. Já o Aurora, instalado no Argonne Leadership Computing Facility, alcançou 1,012 exaflop. Ambos pertencem ao Departamento de Energia dos Estados Unidos.
A única máquina fora da China e dos Estados Unidos a integrar esse grupo é o JUPITER Booster, do Centro de Supercomputação de Jülich, na Alemanha, que atingiu exatamente 1 exaflop no mesmo teste.

Embora tenha assumido a liderança no benchmark de dupla precisão, o LineShine não superou os principais concorrentes em testes de precisão mista (HPL-MxP), amplamente utilizados em aplicações de inteligência artificial e ciência de dados. Nessa categoria, El Capitan, Frontier e Aurora permanecem à frente graças ao uso de unidades de processamento gráfico (GPUs), especializadas em operações de menor precisão e maior velocidade. Segundo os organizadores do TOP500, o resultado era esperado, já que o sistema chinês foi projetado exclusivamente com CPUs e não conta com aceleradores dedicados.
Criado em 1993, o ranking TOP500 é atualizado duas vezes por ano, em junho e novembro, e reúne os sistemas computacionais mais poderosos do planeta. A última vez que a China ocupou a liderança havia sido em 2017.
Supercomputadores desse porte desempenham papel estratégico em diversas áreas, incluindo desenvolvimento de novos materiais, pesquisas científicas de alta complexidade, simulações confidenciais, monitoramento de arsenais nucleares e outras aplicações ligadas à segurança nacional.
