À medida que a inteligência artificial domina o mundo, o fascínio por colecionar computadores antigos cresce cada vez mais

À medida que a inteligência artificial domina o mundo, o fascínio por colecionar computadores antigos cresce cada vez mais

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Publicado em 11/08/26 às 16:20

Enquanto empresas do Vale do Silício concentram esforços no avanço da inteligência artificial, uma comunidade de entusiastas segue na direção oposta: recuperar computadores que ajudaram a construir a revolução digital.

O engenheiro de software Josh Dersch faz parte desse grupo. Em sua casa, em Seattle, nos Estados Unidos, ele estima ter mais de 200 computadores e dispositivos antigos e passa horas restaurando equipamentos fabricados décadas atrás.

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“É sempre fascinante para mim ver a origem das coisas”, afirmou Dersch. Para ele, reparar essas máquinas também permite entender sistemas que, diferentemente dos aparelhos atuais, podem ser estudados praticamente de ponta a ponta.

Computadores da Atari, Commodore, IBM, Apple e outras marcas, considerados obsoletos por grande parte das pessoas, tornaram-se objetos de preservação. Além da importância histórica, há um componente de nostalgia: colecionadores voltam a ouvir sons característicos das máquinas e a jogar títulos clássicos como “Pong” e “Space Invaders”.

Erik Klein, presidente da Vintage Computer Federation, afirma que o interesse pela história da computação está crescendo. A organização promove festivais, oficinas de reparo e encontros dedicados à preservação desses equipamentos.

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Festivais atraem milhares de visitantes

Mais de 3.500 pessoas participaram de uma edição de dois dias do Vintage Computer Festival, realizada no início de agosto no Computer History Museum, em Mountain View, no Vale do Silício.

O evento também celebrou os 50 anos da Apple, fundada em 1976, e contou com um painel dos cofundadores Steve Wozniak e Ronald Wayne sobre os primeiros anos da empresa.

Encontros semelhantes já se espalharam por cidades da América do Norte, América do Sul e Europa. A procura também chegou ao mercado de colecionadores. Máquinas raras e importantes para a história da indústria podem alcançar valores elevados — unidades do Apple-1, primeiro produto da Apple, chegam a ser negociadas por centenas de milhares de dólares.

Durante os festivais, visitantes podem utilizar equipamentos restaurados e conhecer como funcionavam os computadores antes da popularização da internet, das redes sociais e da inteligência artificial.

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Xerox Alto é uma das estrelas entre colecionadores

Dersch levou de Seattle uma das peças mais importantes de sua coleção: um Xerox Alto restaurado. Desenvolvido no Xerox Palo Alto Research Center na década de 1970, o equipamento é considerado um precursor do computador pessoal moderno.

O Xerox Alto esteve entre as primeiras máquinas a utilizar recursos como mouse e interface gráfica baseada em janelas, ícones e cursores. Essas tecnologias posteriormente influenciaram produtos desenvolvidos por empresas como Apple e Microsoft.

xerox-altoXerox Alto, um dos primeiros modelos de computadores pessoais já criado / Imagem: Reprodução

A paixão pelo colecionismo, porém, também pode se transformar em problema de espaço. Klein chegou a reunir cerca de 150 sistemas, além de acessórios, documentos e embalagens, antes de decidir vender e doar grande parte do acervo.

Hoje, ele mantém apenas algumas máquinas favoritas e concentra seus esforços na organização de eventos para preservar a memória da computação.

Sellam Ismail, que organizou em 1997 um dos primeiros festivais dedicados ao tema, quando cerca de 150 entusiastas participaram do encontro, acredita que a comunidade continuará crescendo.

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Quase três décadas depois, computadores que um dia foram descartados por estarem ultrapassados ganham uma nova função: contar a história de como a tecnologia chegou aos dispositivos usados atualmente.

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