
Bethesda remove Denuvo de “Doom: The Dark Ages” mais de um ano após lançamento no PC
Por Sandro Felix
Publicado em 08/07/26 às 16:10
A Bethesda retirou a tecnologia antipirataria Denuvo de Doom: The Dark Ages com a chegada do Patch 4.0, lançado nesta quarta-feira (8) para a versão PC do jogo. A mudança ocorre pouco mais de um ano após a estreia do título, em março de 2025, e reforça um movimento que vem ganhando espaço na indústria: a remoção gradual do sistema de proteção digital depois do período inicial de vendas.
A retirada da proteção do jogo tende a ser recebida de forma positiva por parte da comunidade de jogadores de PC, especialmente entre jogadores que evitam comprar títulos que utilizam esse tipo de tecnologia. O sistema, voltado ao combate à pirataria e à adulteração de arquivos, é alvo frequente de críticas por parte do público, embora publishers defendam seu uso como forma de proteger os primeiros meses de comercialização e conteúdos adicionais lançados após a estreia.
No caso de Doom: The Dark Ages, a permanência do Denuvo por mais de um ano sugere que a Bethesda optou por manter a proteção ativa durante o ciclo de expansão do game, incluindo o lançamento de conteúdos extras. Com a chegada da expansão Revelations, a avaliação entre observadores do mercado é que o estúdio deve encerrar a fase principal de suporte ao jogo e avançar para seu próximo projeto, o que ajuda a explicar a decisão de remover o sistema neste momento.
A mudança, no entanto, não altera a percepção técnica que o jogo construiu desde o lançamento. Mesmo enquanto utilizava o Denuvo, Doom: The Dark Ages foi amplamente elogiado pelo desempenho no PC. O título se destacou como um dos jogos mais bem otimizados de 2025, com execução estável, ausência de travamentos perceptíveis e bom aproveitamento de diferentes configurações de hardware.
Parte desse resultado está ligada à estratégia técnica adotada pela id Software. O estúdio decidiu utilizar ray tracing como padrão no game, uma escolha considerada ousada diante do custo computacional normalmente associado ao recurso. Ainda assim, Doom: The Dark Ages conseguiu combinar qualidade visual elevada com desempenho consistente em várias placas de vídeo. O jogo também chamou atenção pelos efeitos de destruição, pela fluidez durante combates intensos e pela estabilidade mesmo em sequências mais exigentes, como os trechos em que o jogador monta um dragão.
A remoção do Denuvo em Doom: The Dark Ages não é um caso isolado dentro do catálogo da própria Bethesda. A empresa já havia retirado a tecnologia de outros títulos de peso, como Doom Eternal e Wolfenstein: Youngblood. Ghostwire: Tokyo também deixou de utilizar o sistema. O histórico sugere que a publisher tem adotado uma prática recorrente de manter o Denuvo apenas durante a janela comercial considerada mais sensível, desativando-o depois que o jogo já consolidou suas vendas e concluiu boa parte de seu calendário de atualizações.
O movimento também tem sido observado em outras grandes editoras. A Square Enix, por exemplo, removeu o Denuvo de diversos lançamentos para PC nos últimos anos. Entre os títulos que deixaram de usar a tecnologia estão Dragon Quest I & II HD-2D Remake, The DioField Chronicle, Valkyrie Elysium, Triangle Strategy, Live A Live e Forspoken. A empresa também retirou a proteção de Octopath Traveler e de sua sequência, além de ter feito o mesmo com Star Ocean The Second Story R em maio de 2024 e Final Fantasy 16 em março de 2025. Em dezembro de 2025, a companhia também removeu o sistema de Just Cause 3.
A Capcom é outro exemplo de publisher que vem reduzindo o uso do Denuvo em seu catálogo. A empresa já retirou a tecnologia de Monster Hunter Rise, Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin e Resident Evil Village. O mesmo aconteceu com Resident Evil 2 Remake e Resident Evil 3 Remake. Em julho de 2025, o sistema também foi removido de Kunitsu-Gami: Path of the Goddess, enquanto Resident Evil 4 Remake entrou recentemente na lista de jogos da companhia sem a proteção. Em novembro de 2025, a Capcom fez o mesmo com Onimusha 2: Samurai’s Destiny.
Outras empresas seguiram caminho semelhante. A KRAFTON retirou o Denuvo de The Callisto Protocol em março de 2023. A NEOWIZ removeu o sistema de Lies of P, enquanto a Gearbox fez o mesmo com Homeworld 3 em outubro de 2024. A Bandai Namco também abandonou a tecnologia em Tekken 7 e Naruto to Boruto: Shinobi Striker. Já a Warner Bros removeu a proteção de títulos como Gotham Knights, Back 4 Blood e Mortal Kombat 11.
Embora cada publisher adote critérios próprios para decidir quando retirar o Denuvo, a tendência indica uma estratégia relativamente consolidada: usar o sistema como barreira temporária contra a pirataria no lançamento e, depois, removê-lo quando o jogo já percorreu sua fase comercial mais intensa. No caso de Doom: The Dark Ages, a decisão encerra um ciclo de pouco mais de um ano e recoloca o jogo no centro da discussão sobre preservação, desempenho e políticas de DRM no mercado de PC.
