Rover da Nasa encontra compostos orgânicos complexos em Marte e reforça hipótese de que planeta já teve vida no passado

Rover da Nasa encontra compostos orgânicos complexos em Marte e reforça hipótese de que planeta já teve vida no passado

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Publicado em 25/06/26 às 16:27

A missão do rover Perseverance, da Nasa, deu um novo passo na investigação sobre a possibilidade de vida antiga em Marte. Cientistas anunciaram a identificação de compostos orgânicos complexos em rochas da cratera Jezero, descoberta considerada a evidência mais robusta até agora de que o planeta vermelho já reuniu condições favoráveis ao surgimento de formas de vida.

Os resultados foram publicados na revista científica Science Advances e são baseados na análise de duas amostras de lama petrificada coletadas na região conhecida como Bright Angel, localizada ao longo do antigo sistema fluvial de Neretva Vallis. Segundo os pesquisadores, centenas de assinaturas orgânicas foram identificadas nas rochas, configurando o conjunto mais abrangente de moléculas desse tipo já registrado na cratera Jezero.

A investigação foi realizada com o auxílio do instrumento SHERLOC, um espectrômetro a laser instalado no Perseverance capaz de identificar minerais e compostos orgânicos presentes na superfície marciana. Entre os materiais detectados estão moléculas complexas ricas em carbono, conhecidas como carbono macromolecular, consideradas elementos fundamentais para a química da vida na Terra.

Em nosso planeta, esse tipo de composto costuma ser encontrado em algumas das rochas mais antigas já estudadas e, em determinadas circunstâncias, pode representar um dos poucos vestígios preservados de atividade microbiana ocorrida há bilhões de anos.

Os pesquisadores destacam que esta é a primeira vez que o carbono macromolecular é identificado diretamente na superfície natural de uma rocha na cratera Jezero. Também representa apenas o segundo registro desse material em rochas sedimentares marcianas fora da cratera Gale, onde o rover Curiosity continua em operação desde 2012.

A nova descoberta ocorre nas proximidades da rocha apelidada de “Cheyava Falls”, anunciada pela Nasa no ano passado. O afloramento chamou atenção por apresentar padrões semelhantes a manchas de leopardo, estrutura que alguns cientistas consideram compatível com processos biológicos antigos, embora existam explicações geológicas igualmente plausíveis.

cratera-Jezero

Apesar do entusiasmo, os autores do estudo ressaltam que a presença dos compostos orgânicos não constitui uma prova de que houve vida em Marte. Moléculas desse tipo também podem ser produzidas por processos naturais, como atividade hidrotermal, reações químicas entre minerais ou mesmo pelo impacto de meteoritos ricos em carbono.

Além disso, o Perseverance não possui instrumentos capazes de determinar se a origem dessas substâncias é biológica ou exclusivamente geológica. A principal missão do veículo é selecionar e armazenar amostras consideradas promissoras para uma futura missão de retorno à Terra, onde poderão ser submetidas a análises laboratoriais muito mais detalhadas.

Mesmo sem confirmar a existência de organismos antigos, a descoberta amplia as evidências de que Marte já apresentou água líquida, elementos químicos essenciais e condições ambientais potencialmente favoráveis à vida há bilhões de anos. Para os cientistas, os novos dados fortalecem a hipótese de que o planeta vermelho foi habitável em um passado distante e aproximam a comunidade científica da resposta para uma das questões mais importantes da exploração espacial: se Marte já abrigou alguma forma de vida.

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