Núcleo da Terra desacelera e revela novas transformações no interior do planeta, apontam estudos recentes

Núcleo da Terra desacelera e revela novas transformações no interior do planeta, apontam estudos recentes

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Publicado em 14/06/26 às 06:45

Enquanto governos e mercados acompanham atentamente decisões políticas capazes de influenciar a economia global, cientistas observam um fenômeno silencioso que ocorre a mais de 5 mil quilômetros de profundidade. Pesquisas divulgadas nos últimos dois anos indicam que o núcleo interno da Terra não apenas desacelerou sua rotação relativa, mas também apresenta sinais de mudanças estruturais que podem ajudar a explicar melhor o funcionamento do planeta.

A descoberta ganhou destaque após um estudo publicado na revista Nature em 2024 por pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC). A análise de décadas de registros sísmicos mostrou que o núcleo interno sólido da Terra passou a girar mais lentamente em relação à superfície terrestre a partir de aproximadamente 2010. O fenômeno foi identificado por meio da comparação de ondas sísmicas geradas por terremotos repetidos na região das Ilhas Sandwich do Sul, no Atlântico Sul.

Os pesquisadores analisaram mais de uma centena de eventos sísmicos ocorridos entre 1991 e 2023. Ao comparar vibrações que percorreram trajetórias semelhantes pelo interior do planeta, a equipe encontrou evidências consistentes de que o núcleo interno reduziu sua velocidade relativa, contrariando hipóteses anteriores que apontavam para uma rotação mais rápida.

Apesar de manchetes alarmistas publicadas em diferentes países nos últimos anos, os cientistas enfatizam que o núcleo não parou de girar nem está girando no sentido contrário ao da Terra. O que ocorreu foi uma alteração em sua velocidade relativa em relação às camadas externas do planeta, um comportamento considerado compatível com ciclos naturais de longo prazo.

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Novas evidências apontam que o núcleo também está mudando de forma

Em fevereiro de 2025, a mesma linha de pesquisa trouxe uma novidade ainda mais surpreendente. Um estudo publicado na Nature Geoscience indicou que a superfície do núcleo interno apresenta deformações sutis causadas pela interação com o núcleo externo líquido, composto principalmente por ferro fundido em temperaturas extremas. Até então, acreditava-se que mudanças de rotação e alterações estruturais dificilmente ocorreriam simultaneamente.

Os dados sugerem que partes da superfície do núcleo podem estar sofrendo movimentos comparáveis a deslocamentos graduais de material, formando irregularidades ao longo do tempo. Embora essas mudanças ocorram em escalas gigantescas e extremamente lentas, elas revelam que o interior da Terra permanece em constante transformação.

Segundo os pesquisadores, os efeitos sobre a vida cotidiana continuam praticamente imperceptíveis. Eventuais impactos na duração dos dias seriam medidos em milissegundos, valor muito inferior às variações provocadas por fatores como correntes oceânicas, circulação atmosférica e redistribuição de massas de gelo nos polos.

O interesse científico, porém, é significativo. O comportamento do núcleo está ligado aos mecanismos que sustentam o campo magnético terrestre, responsável por proteger o planeta contra partículas energéticas vindas do Sol e do espaço profundo. Compreender como essa região evolui pode fornecer pistas importantes sobre futuras mudanças geomagnéticas e sobre a própria história da Terra.

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Pesquisas divulgadas em 2026 reforçam a hipótese de que o núcleo interno não apresenta um movimento constante, mas oscila em ciclos complexos influenciados pela interação gravitacional e eletromagnética com as demais camadas do planeta. A tendência observada pelos cientistas é que novas redes globais de monitoramento sísmico permitam esclarecer, nos próximos anos, aspectos ainda desconhecidos sobre essa região inacessível da Terra.

A conclusão dos especialistas é que não existe qualquer sinal de catástrofe iminente. O que as descobertas revelam é algo igualmente impressionante: sob a superfície aparentemente estável do planeta existe uma estrutura metálica gigantesca, ativa e em permanente transformação, cujo funcionamento ainda guarda alguns dos maiores mistérios da ciência moderna.

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