ONU faz alerta urgente sobre retorno do El Niño e risco de calor recorde pelo mundo

ONU faz alerta urgente sobre retorno do El Niño e risco de calor recorde pelo mundo

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Publicado em 02/06/26 às 16:45

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um novo alerta sobre a provável volta do fenômeno climático El Niño ainda neste ano, indicando que o evento poderá alcançar intensidade moderada ou até forte nos próximos meses. Segundo atualização divulgada pela entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), há 80% de probabilidade de que as condições associadas ao fenômeno estejam presentes entre junho e agosto e 90% de chance de consolidação entre julho e novembro.

A avaliação é baseada no monitoramento das temperaturas da superfície do mar na região centro-leste do Oceano Pacífico Equatorial. Entre o fim de abril e meados de maio, meteorologistas registraram anomalias superiores a 6°C acima da média histórica em determinados pontos da área monitorada, um dos principais indicadores da formação do El Niño.

Embora ainda existam incertezas sobre a força exata do fenômeno, especialistas consideram que os sinais atuais apontam para um evento de pelo menos intensidade moderada. Em cenários mais extremos, os impactos podem ser sentidos em escala global, alterando padrões de chuva, elevando temperaturas médias e ampliando a ocorrência de eventos climáticos severos.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, mas seus efeitos vão muito além da região oceânica onde se forma. As mudanças na circulação atmosférica influenciam o clima em diversos continentes, afetando regimes de precipitação, secas prolongadas, ondas de calor, ciclones tropicais e até a produtividade agrícola.

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Fenômeno pode elevar temperaturas globais e aumentar riscos de desastres

Entre os efeitos mais previsíveis está o aumento da temperatura média global. Cientistas já avaliam a possibilidade de que 2026 figure entre os anos mais quentes já registrados, impulsionado tanto pelo aquecimento global quanto pela influência adicional do El Niño.

Nos Estados Unidos, as projeções indicam maior volume de chuvas na porção sul do país, enquanto áreas do norte podem enfrentar condições mais secas e temperaturas acima da média. Na Austrália, o fenômeno costuma estar associado a períodos prolongados de calor intenso, secas severas e aumento significativo do risco de incêndios florestais.

Em pronunciamento divulgado pela ONU, o secretário-geral António Guterres afirmou que o fenômeno deve ser encarado como um alerta climático urgente. Segundo ele, os efeitos do El Niño tendem a potencializar os impactos já observados em um planeta em processo de aquecimento acelerado.

O mundo precisa tratar a chegada do El Niño como um sinal inequívoco da crise climática. Seus efeitos podem atravessar fronteiras rapidamente e atingir populações vulneráveis com intensidade crescente, afirmou.

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A preocupação das autoridades internacionais é reforçada por experiências anteriores. O episódio de El Niño registrado entre 1997 e 1998 permanece como um dos mais destrutivos da história recente. Durante mais de um ano, enchentes devastadoras atingiram partes da Ásia, enquanto surtos de doenças transmitidas pela água se espalharam por regiões da África e da América do Sul. Estimativas apontam que os eventos climáticos associados ao fenômeno contribuíram para cerca de 23 mil mortes e provocaram prejuízos econômicos globais da ordem de trilhões de dólares.

Apesar de não haver garantias de que o próximo episódio alcance níveis semelhantes, a OMM recomenda que governos, agências humanitárias e setores econômicos sensíveis ao clima intensifiquem o monitoramento e os planos de contingência.

A secretária-geral da organização, Celeste Saulo, destacou que a comunidade científica acompanhará atentamente a evolução das condições oceânicas e atmosféricas ao longo dos próximos meses. Segundo ela, previsões sazonais e sistemas de alerta antecipado serão fundamentais para reduzir perdas humanas e econômicas.

Precisamos nos preparar para um possível evento forte de El Niño, que pode agravar secas, aumentar episódios de chuva extrema e elevar o risco de ondas de calor tanto em áreas continentais quanto nos oceanos. A antecipação é uma ferramenta essencial para proteger vidas e fortalecer a capacidade de resposta das comunidades, afirmou.

Com a possibilidade crescente de um novo ciclo intenso do fenômeno, especialistas reforçam que o planejamento preventivo e a adaptação climática serão decisivos para minimizar os impactos de um evento que, historicamente, tem capacidade de alterar o clima em escala global.

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