
Tensão global | China impõe tarifas de 34% aos EUA e provoca colapso nos mercados
Por Sandro Felix
Publicado em 04/04/25 às 10:13
Em um novo e alarmante capítulo da crescente tensão comercial entre as duas maiores economias do mundo, a China anunciou nesta sexta-feira (4) que imporá tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos Estados Unidos. A medida é uma resposta direta ao pacote de tarifas amplamente criticado anunciado pelo presidente americano Donald Trump dois dias antes.
O ministro das Finanças da China informou que as novas tarifas começarão a vigorar já na próxima quinta-feira (10). Essa retaliação, que espelha exatamente a porcentagem imposta por Washington sobre produtos chineses, aprofunda os temores de uma escalada em larga escala da guerra comercial.
Exportações estratégicas sob controle
Em um movimento que adiciona ainda mais tensão ao cenário, o governo chinês também declarou que vai impor imediatamente controle rigoroso sobre a exportação de terras raras para os EUA. Esses minerais, essenciais para a fabricação de tecnologias como chips, baterias e equipamentos militares, são estratégicos na economia global.
Entre os materiais que terão sua exportação limitada estão samário, gadolínio, térbio, disprósio, lutécio, escândio e ítrio. Segundo o Ministério do Comércio, a decisão visa proteger a segurança nacional e cumprir com obrigações internacionais de não proliferação.
Empresas americanas na mira
Como parte do contra-ataque, 11 empresas dos Estados Unidos foram incluídas na lista chinesa de entidades consideradas “não confiáveis”. Essas companhias, segundo a mídia estatal chinesa, cooperaram militar e tecnologicamente com Taiwan, prejudicando os interesses de segurança da China. A partir de agora, elas estão proibidas de realizar transações de importação, exportação e investimentos no território chinês.
Mercados reagem com forte queda
As respostas agressivas dos dois lados abalaram os mercados financeiros globais. Investidores temem que o aumento generalizado de tarifas leve a uma desaceleração econômica, tanto nos EUA quanto globalmente. As bolsas asiáticas já fecharam em queda acentuada, e os índices europeus seguem a mesma trajetória nesta manhã.
Veja o impacto nos principais mercados:
Bolsas Europeias (08h30):
- 🇩🇪 DAX (Alemanha): -5,54%
- 🇫🇷 CAC 40 (França): -4,66%
- 🇮🇹 Itália 40: -7,64%
- 🇪🇸 IBEX 35 (Espanha): -6,53%
- 🇳🇱 AEX (Holanda): -4,14%
- 🇬🇧 FTSE 100 (Reino Unido): -4,27%
- 🇨🇭 SMI (Suíça): -5,60%
Bolsas Asiáticas (Fechamento):
- 🇭🇰 Hang Seng (Hong Kong): -1,52%
- 🇯🇵 Nikkei 225 (Japão): -2,80%
- 🇰🇷 Kospi (Coreia do Sul): -0,86%
- 🇹🇭 SET (Tailândia): -3,15%
- 🇮🇳 Nifty 50 (Índia): -1,49%
Tarifas americanas: Um golpe global
Além da China, Trump aplicou tarifas sobre produtos de diversos países, aumentando os custos de importação e preocupando empresários e consumidores. Vietnã (46%), Bangladesh (37%), Tailândia (36%), Coreia do Sul (25%) e Japão (24%) também foram duramente afetados.
Especialistas alertam que esse encarecimento de produtos e insumos pode pressionar a inflação nos EUA, reduzir o consumo e até provocar uma recessão. O dólar já apresenta sinais de desvalorização em meio à incerteza crescente.
O embate comercial entre China e Estados Unidos atinge um novo patamar, com medidas rígidas, efeitos colaterais nos mercados e temor de desaceleração econômica global. Resta agora observar se haverá abertura para diálogo ou se o mundo caminha para uma guerra comercial prolongada e de grandes proporções.



