
Brasil atinge 52 GW em energia solar, mas setor enfrenta desafios com aumento de impostos
Por Sandro Felix
Publicado em 10/01/25 às 17:01
O Brasil alcançou um marco histórico no setor de energia renovável: a fonte solar atingiu 52 gigawatts (GW) de potência instalada operacional, consolidando-se como a segunda maior fonte da matriz elétrica brasileira, atrás apenas da hidroeletricidade. A informação foi divulgada pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), que destacou os avanços e os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos.
Desde 2012, a energia solar já trouxe mais de R$ 238,3 bilhões em investimentos ao Brasil, além de gerar 1,5 milhão de empregos verdes e contribuir com R$ 73,8 bilhões em arrecadação de impostos. Essa expansão evitou a emissão de aproximadamente 63 milhões de toneladas de CO2, reforçando o papel da energia solar na transição energética do país.
De acordo com o levantamento da ABSOLAR, o total de 52 GW está dividido entre 34,8 GW provenientes de sistemas de geração distribuída — aqueles instalados em residências, comércios e propriedades rurais — e 17,4 GW de grandes usinas solares centralizadas, espalhadas por diversas regiões do Brasil. Com essa expansão, a energia solar hoje representa 21,4% da capacidade instalada da matriz elétrica brasileira.
Setor solar enfrenta barreiras regulatórias e aumento de impostos
Apesar dos avanços expressivos, o setor solar enfrenta barreiras regulatórias e econômicas que podem limitar seu crescimento. Uma das principais preocupações é o recente aumento no imposto de importação sobre módulos fotovoltaicos, anunciado pelo Governo Federal em novembro de 2024. A alíquota passou de 9,6% para 25%, o que encarece o custo dos projetos solares e pode desestimular novos investimentos no setor.
Para Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, a medida vai na contramão das iniciativas globais para acelerar a transição energética.
O aumento de impostos joga contra o crescimento da tecnologia no Brasil, especialmente em um momento crítico de combate às mudanças climáticas. Isso prejudica tanto consumidores residenciais quanto empresas e investidores, afirmou.
Além do aumento de impostos, o setor enfrentou grandes desafios regulatórios ao longo de 2024. Empresas de geração distribuída relataram negativas de conexão por parte das distribuidoras, que alegaram problemas de inversão de fluxo de potência. Já as grandes usinas solares foram afetadas por cortes de geração (curtailment) impostos pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o que comprometeu a receita dos geradores e dificultou o cumprimento de contratos.
Segundo Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, muitos desses desafios continuam no horizonte de curto e médio prazos. Ele reforça que a associação continuará trabalhando para encontrar soluções que favoreçam o avanço da energia solar no Brasil. Entre as ações previstas estão articulações junto ao Governo Federal, ao Congresso Nacional, às distribuidoras de energia e à agência reguladora, para garantir um ambiente favorável ao setor.
É necessário avançar em políticas públicas que incentivem o uso de energias renováveis e aproveitem melhor o potencial solar do Brasil, que é imenso. Além disso, há grandes oportunidades em novas tecnologias, como armazenamento de energia elétrica e hidrogênio verde, que podem tornar o país um protagonista global se houver um ambiente de negócios propício para investimentos, concluiu Sauaia.
A marca de 52 GW de energia solar instalada é um reflexo do grande potencial do Brasil em energias renováveis. No entanto, para garantir que o setor continue crescendo, é fundamental que o Governo e o mercado trabalhem juntos para superar os desafios regulatórios e econômicos.
Com um bom ambiente de negócios e políticas públicas adequadas, o Brasil pode consolidar-se como um dos líderes globais em transição energética e sustentabilidade, gerando mais empregos verdes, investimentos e benefícios ambientais para a população.


