Primeiro a memória RAM e o armazenamento, agora as CPUs: por que a IA está tornando os laptops 40% mais caros em 2026

Primeiro a memória RAM e o armazenamento, agora as CPUs: por que a IA está tornando os laptops 40% mais caros em 2026

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Publicado em 11/03/26 às 16:35

A rápida expansão das aplicações de inteligência artificial já começa a provocar impactos significativos na cadeia global de tecnologia. Segundo análise da consultoria TrendForce, a crescente demanda por memória e armazenamento para cargas de trabalho de IA está pressionando a indústria de semicondutores e pode resultar em aumento de até 40% no preço final de notebooks nos próximos meses.

O setor de computadores portáteis já enfrenta um cenário de demanda fraca em alguns mercados, combinado com alta no custo de componentes. Agora, a indústria também começa a lidar com um aumento expressivo no preço de processadores (CPUs), um dos principais itens que compõem o custo de fabricação desses equipamentos.

De acordo com o relatório, a Intel já reajustou em mais de 15% os preços de alguns processadores de entrada e de gerações anteriores voltados para notebooks. A empresa também planeja elevar os preços de CPUs intermediárias e de alto desempenho a partir do segundo trimestre de 2026, o que deve ampliar ainda mais a pressão sobre fabricantes.

IA

Além do aumento nos valores, a cadeia de suprimentos enfrenta limitações que tendem a afetar principalmente fabricantes menores. Marcas líderes do setor devem conseguir amenizar os impactos por conta de contratos de longo prazo e compras em grande volume junto às fabricantes de chips, como Intel e AMD. Já empresas menores podem enfrentar maior dificuldade para obter componentes, além de pagar preços mais altos.

A escassez já começa a atingir especialmente os processadores de entrada. Analistas apontam que tanto Intel quanto AMD estão priorizando a produção de chips voltados para computação de alto desempenho — área diretamente ligada ao avanço da inteligência artificial — reduzindo a oferta de processadores utilizados em notebooks mais baratos.

Esse movimento também se reflete na composição de custos dos computadores. Há cerca de um ano, os componentes de memória DRAM e armazenamento SSD representavam aproximadamente 15% do custo total de produção de um notebook. Agora, projeções indicam que apenas esses dois itens devem ultrapassar 30% do custo nas próximas semanas.

Quando se soma esse aumento aos reajustes nos preços das CPUs — que já são o componente mais caro dos notebooks —, a participação total desses elementos no custo de fabricação pode atingir entre 45% e 58% do valor final do produto.

Na prática, isso pode provocar aumentos expressivos para o consumidor. Um notebook que anteriormente custava cerca de US$ 900, equivalente hoje a aproximadamente R$ 4.500 (considerando cotação próxima de R$ 5 por dólar), poderia passar a custar cerca de US$ 1.270, ou aproximadamente R$ 6.350, caso os fabricantes repassem integralmente os novos custos.

A TrendForce avalia que, para preservar suas margens de lucro diante do encarecimento dos componentes, as fabricantes podem não ter alternativa a não ser elevar os preços ao consumidor.

equipamentos PC

Outro fator que contribui para a instabilidade do mercado é o aumento da demanda por infraestrutura voltada à inteligência artificial. O crescimento de centros de dados e sistemas de treinamento de modelos de IA exige grande quantidade de memória e armazenamento de alto desempenho, o que reduz a disponibilidade desses componentes para outros segmentos, como o de computadores pessoais.

Essa tendência já havia sido apontada em relatório divulgado na semana passada pela consultoria Gartner, que prevê mudanças estruturais no mercado de PCs. Segundo a empresa, computadores de baixo custo podem praticamente desaparecer até 2028, em parte devido ao aumento previsto de 130% nos preços combinados de DRAM e SSD até o final deste ano.

Caso as projeções se confirmem, especialistas apontam que o mercado de notebooks deve passar por uma transição, com menor oferta de modelos básicos e maior foco em dispositivos voltados para desempenho e aplicações de inteligência artificial. Para os consumidores, isso pode significar um cenário de preços mais elevados e menos opções na faixa de entrada nos próximos anos.

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