Tecnologia nacional ganha força e mira no mercado internacional

Tecnologia nacional ganha força e mira no mercado internacional

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Publicado em 09/01/26 às 16:27

A interrupção das cadeias globais de produção durante a pandemia evidenciou a forte dependência do Brasil em relação a tecnologias importadas, especialmente no setor de equipamentos eletrônicos. O impacto foi sentido de forma direta em áreas como áudio e vídeo corporativos, que enfrentaram atrasos, escassez de componentes e aumento de custos. Diante desse cenário, uma empresa brasileira decidiu apostar no desenvolvimento interno como estratégia de sobrevivência — e de reposicionamento no mercado.

À frente da Wave AV, Pedro Retes, engenheiro eletricista com mestrado na área e quatro certificações internacionais, liderou um movimento para internalizar a criação de tecnologias até então adquiridas no exterior. Com 15 anos de experiência no comando da companhia, Retes orientou a equipe a desenvolver, em poucos meses, soluções próprias capazes de manter os projetos em andamento mesmo com o colapso do fornecimento global.

O esforço resultou na criação de três famílias de produtos. A primeira é um controlador que atua como o “cérebro” dos sistemas de automação. A segunda envolve painéis de parede que funcionam como interface entre o usuário e o sistema. A terceira é um processador de áudio de alta performance, invisível para quem utiliza os ambientes, mas essencial para o tratamento sonoro. Segundo Retes, a maturidade técnica da equipe foi decisiva para a rapidez do desenvolvimento.

Pedro Retes demonstra os produtos criados pela WavePedro Retes demonstra os produtos criados pela Wave: painel touch, painel touch 8″ e controladora de automação / Foto: Divulgação

Além de reduzir a dependência externa, a iniciativa trouxe ganhos estruturais. As soluções foram concebidas com frameworks modernos e arquitetura aberta, facilitando a integração com tecnologias de TI e desenvolvimento web. Na avaliação da empresa, isso contrasta com o modelo fechado adotado por grandes fabricantes internacionais, que costuma exigir treinamentos e certificações exclusivas para cada plataforma. A abordagem nacional, afirma Retes, amplia o leque de profissionais aptos a trabalhar com os sistemas, incluindo especialistas em front-end e back-end.

As tecnologias desenvolvidas pela Wave já estão em operação em instituições públicas e privadas de grande porte, como a Marinha do Brasil, a Localiza e a Abbott, além de entidades como o SEBRAE e o SESCOOP. Os projetos combinam alto grau de complexidade técnica com operação simplificada, característica valorizada por clientes corporativos.

Com a consolidação no mercado brasileiro, a empresa agora mira a expansão internacional. O foco inicial são mercados considerados maduros, como o dos Estados Unidos. Para viabilizar a estratégia, a Wave prevê investir cerca de R$ 10 milhões ao longo dos próximos cinco anos. Segundo Retes, o movimento tem não apenas relevância econômica, mas também caráter estratégico, ao posicionar a tecnologia nacional como alternativa competitiva em um setor historicamente dominado por fornecedores estrangeiros.

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