
Cientistas conseguem a primeira evidência da maneira mais aterrorizante de como o universo pode acabar
Por Sandro Felix
Publicado em 02/02/24 às 16:29
Dentre as diversas maneiras alternativas de imaginar o fim do universo, poucas são tão inquietantes quanto a possibilidade do “decaimento do falso vácuo”. Esse cenário intrigante fundamenta-se na ideia de que um campo crucial no universo não atingiu seu estado de menor energia possível. Sob essa falsa estabilidade, nosso próprio universo emergiu, aguardando o momento em que esse campo pudesse, de forma espontânea, transitar para um estado mais estável, gerando uma bolha que aniquilaria toda a realidade.
A compreensão do campo em questão, o campo de Higgs, responsável por conferir massa a todas as partículas, ainda é insuficiente para avaliar a probabilidade desse evento. O fenômeno do falso decaimento do vácuo acontece quando um estado instável se transforma em um estado genuinamente estável, e a formação de bolhas associada a esse processo permanece um mistério, particularmente em termos experimentais. No entanto, um grupo de pesquisadores italianos e britânicos alcançou um marco ao apresentar a primeira evidência experimental desse intrigante decaimento do vácuo.
Ian Moss, professor de Cosmologia Teórica na Universidade de Newcastle, destaca a importância do decaimento do vácuo na formação do espaço, tempo e matéria durante o Big Bang. Até agora, faltavam testes experimentais para validar essa teoria. No âmbito da física de partículas, o decaimento do bóson de Higgs no vácuo poderia redefinir as leis fundamentais da física, levando a uma potencial “catástrofe ecológica final”.
Pela primeira vez, os cientistas observaram a formação de bolhas em um sistema atmosférico controlado. Utilizando uma configuração análoga ao cenário do falso vácuo, eles exploraram um vapor super-resfriado a uma temperatura inferior a um milionésimo de grau do zero absoluto. Esse estado metaestável, comparável a um pequeno vale na encosta de uma colina, pode persistir por um período indefinido.
Na mecânica quântica, a transição para um estado de menor energia não requer energia adicional; pode ocorrer por meio de um túnel quântico. Da mesma forma, na configuração análoga, os efeitos térmicos induzem a formação de uma bolha, que se expande, levando o sistema ao seu estado de energia mais baixo, assemelhando-se ao verdadeiro vácuo.
O coautor do estudo, Dr. Tom Billam, destaca o fascínio da pesquisa atual, utilizando experimentos com átomos ultrafrios para simular análogos da física quântica em outros sistemas, como o universo primordial.
O objetivo da equipe é aprimorar a aproximação da temperatura do sistema ao zero absoluto. Nesse contexto, os efeitos térmicos diminuirão em relevância, permitindo que os efeitos quânticos se manifestem, oferecendo assim um análogo mais preciso do decaimento do falso vácuo.
Os resultados dessa pesquisa foram publicados na revista Nature Physics, marcando um avanço significativo na compreensão desse fenômeno intrigante e potencialmente catastrófico.

