
Alta dos SSDs pode se prolongar até 2030 com avanço da inteligência artificial
Por Sandro Felix
Publicado em 18/08/26 às 16:14
Os preços dos SSDs podem permanecer pressionados por vários anos diante da dificuldade da indústria de memória NAND em ampliar a produção no mesmo ritmo do crescimento da demanda. A expansão da infraestrutura de inteligência artificial é apontada como um dos principais fatores por trás desse desequilíbrio, que pode continuar até o fim da década.
Pua Khein-Seng, CEO da Phison, uma das principais fabricantes de controladores para unidades de armazenamento, avalia que a oferta de memória NAND levará um período considerável para alcançar as necessidades do mercado. Segundo declarações do executivo repercutidas pelo jornal taiwanês Commercial Times, os preços da tecnologia ainda têm espaço para subir enquanto fabricantes enfrentam limitações para adicionar nova capacidade produtiva.
O problema está principalmente no tempo necessário para transformar investimentos em produção efetiva. De acordo com Pua, a indústria trabalha com prazos que podem chegar a quatro anos entre o investimento em novas fábricas e o momento em que os componentes produzidos nessas instalações começam a chegar ao mercado em volume relevante.
Esse intervalo significa que mesmo projetos iniciados agora não necessariamente aliviarão a oferta no curto prazo. Caso a previsão se confirme, a diferença entre a quantidade de memória NAND disponível e aquela procurada pelos clientes poderá continuar influenciando o mercado até aproximadamente 2030.
Inteligência artificial aumenta pressão sobre a memória NAND
A expectativa da Phison é que a procura proveniente de clientes ligados à infraestrutura de inteligência artificial, além de outros segmentos, continue avançando a partir do fim de 2026 e no começo de 2027. A tendência amplia a disputa por componentes em um momento no qual os fabricantes ainda não conseguem responder rapidamente com novas linhas de produção.
A memória NAND é utilizada principalmente para armazenamento de dados e está presente em SSDs empregados tanto em computadores pessoais quanto em servidores e centros de dados. Com a construção de infraestrutura dedicada à inteligência artificial, cresce também a necessidade de armazenar grandes volumes de informações, aumentando a pressão sobre esse tipo de componente.
Diante do cenário, a própria Phison está elevando seus estoques para tentar assegurar um fornecimento mais estável durante os próximos dois anos. A estratégia, porém, não elimina o principal obstáculo enfrentado pela companhia: a disponibilidade da memória NAND necessária para atender à procura por soluções de armazenamento.
Construir uma nova fábrica de semicondutores é um processo complexo e demorado. Além das obras, são necessários equipamentos especializados, preparação das linhas, testes e aumento gradual da produção antes que uma instalação consiga operar em escala. Dessa forma, investimentos anunciados hoje podem levar anos para alterar de maneira significativa o volume de chips disponível.
A avaliação de Pua segue a mesma direção de alertas feitos por executivos de outras empresas do setor. Sumit Sadana, da Micron, também destacou as dificuldades para elevar rapidamente a fabricação de memória diante da demanda associada à inteligência artificial. O desafio mostra como a expansão acelerada dos centros de dados está afetando diferentes partes da cadeia de semicondutores.
No armazenamento, a pressão ganha uma dimensão adicional porque servidores destinados a aplicações de IA não dependem apenas de capacidade computacional. Eles também precisam armazenar conjuntos de dados, modelos, resultados de processamento e outras informações em grandes volumes, o que mantém elevada a necessidade de dispositivos de armazenamento.
Mercado corporativo ganha prioridade sobre consumidores
O desequilíbrio entre oferta e demanda também começa a alterar a distribuição de recursos entre os diferentes segmentos atendidos pelos fabricantes. A Phison está reduzindo a parcela de recursos destinada ao mercado de consumo para concentrar esforços no setor empresarial e em aplicações relacionadas à inteligência artificial.
A mudança pode ter consequências para computadores pessoais e outros produtos voltados ao consumidor. Se fornecedores priorizarem segmentos corporativos, nos quais a procura por armazenamento cresce com a construção de servidores e centros de dados, haverá menos espaço para uma expansão rápida da oferta destinada aos SSDs convencionais.
Isso não significa necessariamente que todos os SSDs ficarão continuamente mais caros até 2030. Os preços de componentes de memória são influenciados por diversos fatores, incluindo estoques, capacidade instalada, demanda por eletrônicos, decisões dos fabricantes e condições econômicas. A projeção apresentada pela Phison indica, sobretudo, que as limitações de oferta podem levar anos para serem solucionadas.
O prazo de quatro anos citado por Pua também ajuda a explicar por que uma eventual onda de investimentos não produziria queda imediata nos preços. Mesmo que fabricantes acelerem projetos de expansão, a capacidade adicional precisa passar por todo o processo de construção e preparação antes de contribuir efetivamente para a oferta mundial.
Para consumidores que esperavam reduções expressivas nos preços dos SSDs no curto prazo, portanto, o cenário apresentado pela indústria é menos favorável. Uma oferta restrita, combinada ao crescimento da demanda corporativa e à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, diminui as chances de uma queda significativa dos preços em um horizonte próximo.
A situação poderá mudar conforme novas fábricas entrem em operação e a capacidade produtiva aumente. Até que isso aconteça, porém, a memória NAND deverá permanecer como um componente disputado em uma indústria que precisa atender simultaneamente computadores pessoais, dispositivos eletrônicos, servidores e uma infraestrutura de inteligência artificial em rápida expansão.


