
Ryse: Son of Rome teve cerca de dois terços do conteúdo cortados antes do lançamento, revela ex-desenvolvedores
Por Sandro Felix
Publicado em 14/07/26 às 06:59
Lançado em novembro de 2013 como um dos principais títulos de estreia do Xbox One, Ryse: Son of Rome poderia ter sido um projeto muito mais ambicioso do que a versão que chegou ao mercado. De acordo com uma reportagem publicada pelo IGN, ex-funcionários da Crytek afirmam que aproximadamente dois terços do conteúdo originalmente planejado precisaram ser descartados para que o jogo fosse concluído a tempo do lançamento do novo console da Microsoft.
Segundo os relatos, a equipe enfrentou um período de desenvolvimento marcado por forte pressão para entregar uma campanha de cerca de seis horas de duração. Apesar dos cortes, os desenvolvedores acreditavam que o título representaria apenas o início de uma franquia de longo prazo, o que justificaria a remoção de diversas funcionalidades previstas para versões futuras.
Os planos da Crytek iam além da Roma Antiga. A proposta incluía continuações ambientadas na Era Viking e no Japão Feudal, com uma estrutura menos linear e mais aberta à exploração. Algumas das ideias discutidas pela equipe buscavam oferecer maior liberdade na progressão e no design das fases, aproximando a experiência do modelo adotado anos depois por jogos de ação com exploração mais ampla.
Entre os recursos abandonados durante a produção estavam sistemas de condução de veículos, um modo multijogador competitivo e mecânicas que ampliariam as possibilidades do combate. A intenção era permitir maior controle sobre formações militares e estratégias em campo de batalha, oferecendo alternativas além das sequências guiadas presentes na versão final.
Uma das demonstrações dessas limitações aparece na missão ambientada na Britânia durante a revolta liderada pela rainha Boudica. No jogo lançado, a formação testudo funciona basicamente como um mecanismo defensivo contra projéteis, exigindo apenas comandos específicos para reagir aos ataques. No conceito original, o jogador poderia abandonar a formação a qualquer momento para enfrentar inimigos individualmente e retornar à posição de defesa quando desejasse.
Os planos para possíveis sequências também incluíam a incorporação de outras táticas militares históricas, entre elas o tiro parto, tradicional estratégia da cavalaria do Império Parta e a formação japonesa Kakuyoku, além da expansão da narrativa envolvendo Aquilo e Aestas. Os dois personagens, apresentados inicialmente como mortais, revelariam posteriormente sua natureza divina e manipulavam os acontecimentos humanos como parte de um conflito maior. A ideia seria adaptar esse conceito às diferentes mitologias exploradas em cada nova ambientação.
Ainda segundo a reportagem, a Microsoft nunca chegou a cancelar oficialmente a franquia. O desenvolvimento de novos projetos simplesmente deixou de avançar depois que Ryse: Son of Rome apresentou desempenho comercial e recepção crítica abaixo das expectativas estabelecidas para uma nova propriedade intelectual.
O impasse também envolveu os direitos da marca. A Microsoft teria demonstrado interesse em adquirir a propriedade intelectual, mas a Crytek optou por manter o controle da franquia. Com isso, a empresa norte-americana não teria interesse em financiar novos jogos sem deter os direitos da série, enquanto a desenvolvedora alemã não desejava produzir títulos sob controle de outra companhia. O resultado foi a paralisação dos planos para transformar Ryse em uma franquia de longo prazo, deixando o futuro da série indefinido desde então.

