
“Supergirl” despenca 74% na bilheteria dos EUA e amplia pressão sobre nova fase da DC
Por Sandro Felix
Publicado em 06/07/26 às 16:42
A bilheteria de “Supergirl” sofreu um forte revés em seu segundo fim de semana em cartaz nos Estados Unidos e acendeu um sinal de alerta na Warner Bros. Pictures e na DC Studios. A produção arrecadou cerca de US$ 9,6 milhões em 3.602 salas, resultado que representa uma queda de 74% em relação à estreia e coloca o longa entre os recuos mais acentuados recentes para uma adaptação de quadrinhos de grande orçamento.
Depois de uma abertura considerada modesta, com US$ 37,1 milhões somados entre Estados Unidos e Canadá, o filme alcança agora US$ 58,5 milhões no mercado norte-americano. No cenário global, a arrecadação chega a aproximadamente US$ 100,5 milhões. O desempenho, no entanto, está bem abaixo do patamar esperado para uma superprodução desse porte e já levanta dúvidas sobre a viabilidade comercial do projeto.
O principal problema para o estúdio está no custo da produção. Embora o filme tenha sido apresentado em alguns momentos como uma aposta mais contida dentro do universo de blockbusters de super-heróis, veículos especializados como Variety, Deadline e The Numbers estimam que o orçamento de “Supergirl” esteja na casa dos US$ 170 milhões. A esse valor ainda se somam os gastos com marketing e distribuição internacional, tradicionalmente elevados em lançamentos de verão dos grandes estúdios.
Na lógica do mercado cinematográfico, um longa com esse perfil costuma precisar arrecadar entre duas e duas vezes e meia o valor de seu orçamento para cobrir custos de produção, divulgação e a parcela da receita destinada às redes exibidoras. Na prática, isso significa que “Supergirl” precisaria ultrapassar a marca de US$ 400 milhões em bilheteria mundial para atingir o equilíbrio financeiro. Com pouco mais de US$ 100 milhões acumulados após dois fins de semana, o objetivo já parece distante.
A projeção entre analistas do setor é pessimista. Caso o filme mantenha um ritmo de queda semelhante nas próximas semanas, a tendência é que encerre sua passagem pelos cinemas muito abaixo do necessário para compensar o investimento. Estimativas iniciais apontam que a produção pode registrar prejuízo entre US$ 100 milhões e US$ 120 milhões, número que pode crescer caso a arrecadação internacional não ganhe força nas próximas semanas.
O resultado também expõe um desafio mais amplo para o cinema de super-heróis. Depois de mais de uma década dominando as bilheterias globais, o gênero dá sinais de desgaste, especialmente quando aposta em personagens com menor apelo popular fora do núcleo mais conhecido dos quadrinhos. Enquanto figuras como Batman, Superman e Homem-Aranha ainda mobilizam grandes públicos e sustentam campanhas de lançamento robustas, heróis de segundo escalão enfrentam mais dificuldade para se impor como protagonistas de filmes de alto orçamento.
No caso de “Supergirl”, a missão era transformar Kara Zor-El em uma personagem capaz de atrair plateias por conta própria, sem depender apenas da associação com o universo do Superman. A tarefa se mostrou mais complexa do que o estúdio previa. O desempenho do longa passa a ser comparado a outros tropeços recentes do gênero, como “The Flash”, “Besouro Azul”, “The Marvels”, “Madame Teia”, “Kraven, o Caçador” e “Thunderbolts” — todos marcados por combinações semelhantes de orçamento alto, personagens menos consolidados no imaginário popular e recepção morna do público.
Para analistas, o cenário reforça a mudança de lógica na indústria. Hoje, não basta que um filme carregue o selo da Marvel ou da DC para garantir sucesso comercial. Fatores como crítica, repercussão nas redes, recomendação do público e a percepção de que a obra oferece algo novo passaram a pesar mais na decisão do espectador. A forte queda de “Supergirl” em seu segundo fim de semana indica que o pertencimento a um universo compartilhado já não é, sozinho, um ativo suficiente para sustentar uma grande estreia.
O desempenho do longa também aumenta a pressão sobre James Gunn, que conduz a reformulação criativa da DC nos cinemas. Embora a estratégia do estúdio envolva reorganizar a marca e construir uma nova fase para seus personagens, o tropeço de “Supergirl” mostra que a transição não será simples. Mais do que lançar novos capítulos, a DC precisará convencer o público de que seus filmes ainda são eventos capazes de disputar espaço em um mercado cada vez mais seletivo — e menos disposto a abraçar qualquer aposta do gênero apenas pelo peso da franquia.

