China proíbe placa de última geração da Nvidia para fortalecer mercado nacional

China proíbe placa de última geração da Nvidia para fortalecer mercado nacional

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Publicado em 24/05/26 às 07:48

A China ampliou a pressão sobre empresas americanas de tecnologia ao proibir a importação da GeForce RTX 5090D V2, placa de vídeo da Nvidia desenvolvida especificamente para o mercado chinês em conformidade com as restrições de exportação impostas pelos Estados Unidos. A medida representa um novo capítulo da disputa tecnológica entre as duas maiores economias do mundo e afeta diretamente gamers, desenvolvedores independentes de inteligência artificial e fabricantes de hardware na China.

A decisão foi tomada durante a recente cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, realizada em Pequim. A RTX 5090D V2, baseada na arquitetura Blackwell, havia recebido autorização para comercialização no país asiático em agosto do ano passado, após adaptações para atender às exigências americanas de controle de exportações.

O bloqueio surpreendeu parte do mercado porque, dias antes da reunião bilateral, o presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, foi incluído de última hora na delegação oficial americana que visitou a China entre 13 e 15 de maio. Investidores interpretaram o gesto como um possível sinal de distensão nas restrições envolvendo semicondutores de alto desempenho.

Apesar das expectativas, a China decidiu ampliar o cerco às tecnologias estrangeiras. Segundo relatos de analistas do setor, autoridades alfandegárias chinesas começaram a impedir a entrada da RTX 5090D V2 em 15 de maio, justamente no dia em que a delegação americana deixou Pequim.

A proibição ocorre em meio a uma campanha do governo chinês para estimular empresas locais a substituir componentes da Nvidia por soluções nacionais. Fabricantes e desenvolvedores vêm sendo incentivados a priorizar chips domésticos, como o Ascend 910B, da Huawei, em vez das plataformas H200 e H20 da companhia americana.

GeForce-RTX-5090D-V2

Especialistas avaliam que o impacto vai além do mercado gamer. Embora comercializada como placa de vídeo para jogos, a RTX 5090D V2 vinha sendo amplamente utilizada por desenvolvedores independentes de inteligência artificial para executar modelos de linguagem de código aberto em computadores domésticos. Entre eles estão sistemas como Llama, da Meta, Gemma, do Google, e o chinês DeepSeek.

Com as restrições impostas pelos Estados Unidos às GPUs mais avançadas da Nvidia, muitos programadores chineses passaram a recorrer à linha RTX para realizar tarefas de treinamento e inferência de IA em escala reduzida. A RTX 5090D V2 era vista como uma alternativa capaz de acessar parte do poder computacional da arquitetura Blackwell sem violar diretamente as barreiras comerciais americanas.

Analistas chineses interpretam a decisão de Pequim como uma mudança de postura. Até então, o país buscava contornar as restrições dos EUA por meio de versões reduzidas de chips estrangeiros. Agora, a estratégia parece caminhar para uma substituição mais agressiva por tecnologias nacionais.

GeForce-RTX-5090D-V2-banida-da-china

A guerra dos semicondutores entre Washington e Pequim se intensificou desde 2022, quando o governo Joe Biden proibiu a exportação para a China de chips avançados como os modelos A100 e H100 da Nvidia. Em resposta, a empresa lançou variantes menos potentes, como A800 e H800, desenhadas especificamente para o mercado chinês.

As regras americanas ficaram ainda mais rígidas em 2023, atingindo também as versões adaptadas e até placas de vídeo de alto desempenho, como a RTX 4090. A Nvidia tentou preservar espaço na China lançando novas alternativas reduzidas, incluindo a linha H20.

Embora o governo Trump tenha inicialmente mantido restrições severas às exportações de chips avançados, a administração americana posteriormente flexibilizou parte das regras e autorizou novamente o envio dos modelos H20 e H200 ao mercado chinês. Mesmo assim, empresas locais passaram a enfrentar crescente pressão política para reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros.

Durante a cúpula em Pequim, autoridades americanas e chinesas discutiram a criação de mecanismos de segurança para inteligência artificial. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que os dois países iniciaram conversas para estabelecer “barreiras de proteção” destinadas a impedir que sistemas avançados de IA sejam utilizados por grupos criminosos ou organizações terroristas.

Segundo Bessent, Washington considera possível manter diálogo sobre segurança em inteligência artificial porque os Estados Unidos ainda detêm vantagem tecnológica significativa no setor. Ele também afirmou que delegações dos dois países devem iniciar consultas formais sobre protocolos comuns de segurança sem comprometer o crescimento da indústria.

Já o representante comercial americano, Jamieson Greer, minimizou a importância das restrições de chips nas negociações entre Trump e Xi. De acordo com ele, o tema não esteve entre os principais pontos discutidos oficialmente durante o encontro bilateral.

Nos bastidores, porém, executivos do setor de tecnologia continuam preocupados com o avanço das restrições. Analistas estimam que apenas o mercado potencial do chip H200 na China poderia representar mais de US$ 14 bilhões em receita anual para a Nvidia.

A nova decisão chinesa sinaliza que a disputa tecnológica entre as duas potências entrou em uma fase mais ampla, em que não apenas os Estados Unidos restringem exportações, mas a própria China passa a rejeitar versões adaptadas de produtos estrangeiros em favor de uma estratégia de autossuficiência tecnológica.

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