Fim da escala 6×1 tem aprovação de 68% dos brasileiros, aponta pesquisa Quaest

Fim da escala 6×1 tem aprovação de 68% dos brasileiros, aponta pesquisa Quaest

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Publicado em 19/05/26 às 17:35

O apoio ao fim da escala de trabalho 6 por 1 voltou a aparecer como majoritário entre os brasileiros, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira (18). O levantamento aponta que 68% da população é favorável à mudança no modelo atual de jornada, enquanto 22% se dizem contrários. Outros 7% afirmaram não ser nem a favor nem contra, e 3% não souberam ou não responderam.

Foram ouvidos 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 8 e 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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O tema ganhou força nos últimos meses com o avanço de propostas no Congresso Nacional que discutem a redução da jornada semanal de trabalho e alterações no sistema tradicional de seis dias trabalhados para um de descanso. O debate também se consolidou como uma das principais pautas trabalhistas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Os números da pesquisa indicam estabilidade no apoio popular em relação aos levantamentos anteriores. Em julho de 2025, a redução da jornada era aprovada por 69% dos entrevistados e rejeitada por 26%. Já em dezembro do mesmo ano, a aprovação subiu para 72%, enquanto a desaprovação ficou em 24%.

Além do posicionamento sobre a proposta, a pesquisa mediu o nível de atenção da população ao debate. Segundo o levantamento, 43% afirmam acompanhar de perto as discussões sobre o fim da escala 6 por 1. Outros 29% disseram ter ouvido falar no assunto ou acompanhar pouco, enquanto 27% afirmaram não acompanhar o tema.

A Quaest também realizou recortes sociodemográficos para medir diferenças de percepção entre grupos por sexo, idade, escolaridade, renda, religião, região do país e posicionamento político. O levantamento incluiu ainda divisões por voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022.

Debate avança no Congresso

Atualmente, três propostas sobre o tema tramitam no Congresso Nacional. Duas delas são propostas de emenda à Constituição (PECs) em análise na Câmara dos Deputados, enquanto a terceira é um projeto de lei encaminhado pelo governo federal em regime de urgência constitucional.

A proposta do Executivo prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem redução salarial, além da adoção de dois descansos semanais remunerados de 24 horas consecutivas. O texto estabelece também limite de oito horas diárias de trabalho.

O projeto precisa ser analisado pela Câmara e pelo Senado em até 45 dias por conta do regime de urgência.

Na Câmara, uma das PECs em tramitação foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes. O texto propõe jornada máxima de 36 horas semanais, com possibilidade de compensação mediante acordo coletivo, e prevê transição gradual de dez anos após eventual promulgação.

Outra proposta, protocolada em 2026 pela deputada Erika Hilton, estabelece limite de oito horas diárias e 36 semanais, mas amplia a mudança ao sugerir jornada de quatro dias por semana. Na prática, o modelo substituiria a escala 6×1 por um sistema 4×3, com três dias de descanso.

A discussão ganhou espaço na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara e passou a mobilizar sindicatos, entidades empresariais e especialistas em relações de trabalho. Defensores da proposta argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida e aumentar a produtividade. Já setores empresariais manifestam preocupação com impactos nos custos operacionais e na geração de empregos.

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