
Pragmata tem proteção Denuvo quebrada um mês após o lançamento
Por Sandro Felix
Publicado em 15/05/26 às 16:56
O sistema antipirataria Denuvo voltou ao centro das discussões na comunidade de jogos para PC após o grupo ligado ao codinome “voices38” conseguir contornar a proteção de Pragmata, novo título da Capcom lançado para computadores em 17 de abril. A quebra da proteção ocorreu cerca de um mês depois da estreia do game na plataforma.
O caso chama atenção porque o mesmo responsável havia divulgado recentemente uma versão modificada de Stellar Blade, em 9 de maio, indicando um intervalo de apenas alguns dias entre um desbloqueio e outro. Nos fóruns especializados, usuários passaram a discutir a crescente frequência de cracks envolvendo títulos protegidos pela tecnologia da empresa austríaca Denuvo.
Diferentemente de métodos anteriores que dependiam de um chamado “Hypervisor Bypass” — técnica que exige desativar recursos de segurança do Windows —, o novo procedimento atribuído ao voices38 não requer alterações profundas no sistema operacional. Especialistas em segurança digital, porém, alertam que cracks continuam oferecendo riscos potenciais, sobretudo quando obtidos em sites desconhecidos.
Apesar da repercussão, o desbloqueio não remove completamente o Denuvo do jogo. Segundo relatos compartilhados em comunidades de modificação e preservação digital, o sistema continua operando em segundo plano, funcionando por meio de um bypass que impede a validação original da proteção. Isso significa que eventuais comparações de desempenho entre versões oficiais e pirateadas podem não apresentar diferenças significativas.
A discussão em torno do Denuvo ganhou força nos últimos anos por causa das críticas relacionadas ao impacto da tecnologia em desempenho, consumo de CPU e preservação de jogos digitais. Embora empresas do setor defendam a ferramenta como uma camada importante contra pirataria no período de lançamento, diversas publishers passaram a remover o sistema meses ou anos após a estreia de seus títulos.
A própria Capcom tem adotado essa prática de forma recorrente. Nos últimos meses, a companhia japonesa retirou o Denuvo de jogos como Resident Evil Village, Resident Evil 2 Remake, Resident Evil 3 Remake e Resident Evil 4 Remake. Outros títulos da empresa, como Monster Hunter Rise, Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin e Kunitsu-Gami: Path of the Goddess, também deixaram de utilizar a tecnologia.
Outras gigantes da indústria seguiram caminho semelhante. A Square Enix removeu o Denuvo de jogos como Final Fantasy XVI, Forspoken, Triangle Strategy, Live A Live e Octopath Traveler. Já empresas como Bethesda, Warner Bros., Bandai Namco, Gearbox e KRAFTON também abandonaram a proteção em alguns de seus principais lançamentos nos últimos anos.
O movimento alimenta especulações sobre quanto tempo a Capcom manterá o Denuvo ativo em Pragmata. Até o momento, a empresa não comentou oficialmente o caso nem confirmou possíveis planos para remover a tecnologia do jogo futuramente.
Enquanto isso, o episódio reforça a contínua disputa entre desenvolvedoras, empresas de segurança digital e grupos especializados em contornar sistemas antipirataria — uma batalha que segue movimentando a indústria de jogos para PC.

