
OMS descarta risco de nova pandemia após surto de hantavírus em cruzeiro no Atlântico
Por Sandro Felix
Publicado em 07/05/26 às 14:05
A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou nesta quinta-feira (7) que o surto de hantavírus identificado a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius “não representa o início de uma nova pandemia”, apesar do aumento no número de casos associados à embarcação que segue isolada próximo à costa de Cabo Verde.
Segundo a OMS, ao menos cinco casos da infecção já foram oficialmente confirmados entre passageiros ligados ao cruzeiro. Três mortes também foram registradas desde o início da viagem, iniciada em 1º de abril, na Argentina. O navio, de bandeira holandesa, transporta cerca de 150 pessoas.
Durante entrevista coletiva, a epidemiologista Maria Van Kerkhove, especialista da OMS em doenças infecciosas, procurou afastar comparações com os primeiros momentos da pandemia de covid-19.
“Quero ser inequívoca aqui. Isto não é o SARS-CoV-2. Isto não é o início de uma pandemia de Covid”, declarou a representante da entidade internacional. Segundo ela, o hantavírus possui uma dinâmica de transmissão diferente da observada no coronavírus, ocorrendo principalmente por contato próximo e exposição a partículas contaminadas.
A OMS informou ainda que o período de incubação do vírus pode chegar a seis semanas, o que mantém autoridades sanitárias em alerta para o surgimento de novos casos entre passageiros e tripulantes.
O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que três passageiros com suspeita da doença foram retirados do navio e encaminhados para tratamento nos Países Baixos. Em publicação na rede social X, ele reforçou que “o risco global para a saúde pública continua baixo”.
Mortes e desembarque de passageiros
O primeiro óbito confirmado foi de um passageiro holandês de 70 anos que apresentou sintomas durante a travessia. Após a morte, cerca de 40 passageiros desembarcaram durante uma escala na ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul.
Entre eles estava a esposa do homem, que deixou o navio transportando o corpo do marido. De acordo com autoridades locais, ela seguiu em voo comercial para a África do Sul, onde passou mal e morreu posteriormente em um hospital.
A operadora Oceanwide Expeditions confirmou apenas parte das evacuações e não detalhou a localização atual dos demais passageiros que deixaram a embarcação.
Enquanto isso, autoridades de saúde da Suíça e da África do Sul investigam um caso relacionado ao cruzeiro envolvendo uma variante rara do hantavírus com potencial de transmissão entre humanos — fenômeno considerado extremamente incomum pela comunidade científica.
O que é o hantavírus
O hantavírus é um grupo de vírus transmitidos principalmente por roedores. A infecção humana costuma ocorrer pela inalação de partículas presentes em fezes, urina ou saliva de animais contaminados.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a doença pode provocar duas formas graves de infecção:
- síndrome pulmonar por hantavírus, que compromete os pulmões e pode causar insuficiência respiratória;
- febre hemorrágica com síndrome renal, que afeta os rins e pode evoluir para complicações severas.
Apesar da gravidade dos casos, especialistas destacam que a transmissão entre pessoas é rara e limitada a situações muito específicas.
A União Europeia também afirmou que o risco para a população permanece baixo. A porta-voz da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, declarou que “não há evidências que indiquem ameaça ampla à população europeia neste momento”.
As investigações seguem em andamento para determinar a origem exata da infecção inicial e identificar se houve transmissão dentro do navio.


