
Pesquisadores marroquinos descobrem espécie inédita de dinossauro no leste do país
Por Sandro Felix
Publicado em 15/03/26 às 07:59
Uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Ciências da Universidade Mohammed I, em Oujda, no Marrocos, anunciaram a descoberta dos restos fósseis de uma espécie até então desconhecida de dinossauro na região oriental do país. O achado ocorreu na área de Tendrara e reforça a importância do território como um antigo habitat de grandes criaturas pré-históricas que viveram há mais de 100 milhões de anos.
Segundo os cientistas, a descoberta é resultado de anos de escavações detalhadas conduzidas em parceria com especialistas internacionais. Durante o processo, os pesquisadores utilizaram técnicas científicas especializadas para remover e preservar com segurança os ossos fossilizados encontrados no local.
De acordo com fontes da universidade, o trabalho envolveu uma série de etapas cuidadosas para evitar danos às estruturas ósseas, consideradas extremamente frágeis após milhões de anos soterradas em sedimentos.
Esta descoberta é inédita para a região e evidencia a riqueza do patrimônio fóssil do leste do Marrocos, uma área que ainda guarda muitos segredos sobre a história da vida na Terra, afirmou um representante da instituição durante entrevista com jornalistas.
Análises iniciais indicam que o animal pertencia ao grupo dos dinossauros herbívoros. Embora o Marrocos seja conhecido internacionalmente por fósseis de grandes predadores e pelos chamados “gigantes dos rios”, o novo achado amplia o conhecimento científico sobre espécies que se alimentavam de plantas e que também habitavam o território durante o período Cretáceo.

Reconstrução em 3D e análise ambiental
Para compreender melhor o espécime, os pesquisadores iniciaram um processo de estudo em várias etapas. A primeira envolve a reconstrução detalhada do esqueleto com o uso de escaneamento tridimensional e técnicas laboratoriais avançadas, que permitem remontar virtualmente e fisicamente as partes encontradas.
Paralelamente, a equipe realiza análises comparativas da densidade óssea e das características fisiológicas do animal. Esse procedimento ajuda a posicionar a nova espécie dentro da árvore evolutiva dos dinossauros e a identificar possíveis relações com outros grupos já conhecidos.
Outro eixo do estudo inclui o mapeamento ambiental da área onde os fósseis foram encontrados. A análise dos sedimentos ao redor dos ossos pode revelar informações sobre o clima, a vegetação e as condições ecológicas da região durante o período Cretáceo, quando o animal viveu.
O professor Lahbib Boudchiche, responsável pela coordenação da pesquisa, afirmou que o trabalho científico ainda está em andamento. “Estamos na fase de análise e estudo formal. Os resultados finais e as características detalhadas do dinossauro estão sendo preparados para publicação em revistas científicas internacionais”, disse.
Após a conclusão das etapas de reconstrução e estudo, o esqueleto deverá se tornar a peça central do Museu Universitário de Arqueologia e Patrimônio de Oujda. A exposição pretende oferecer a estudantes, pesquisadores e visitantes uma visão rara de um passado natural que antecede a presença humana em milhões de anos.
