Incêndio interrompe COP30 em Belém e expõe fragilidade da estrutura do evento

Incêndio interrompe COP30 em Belém e expõe fragilidade da estrutura do evento

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Publicado em 20/11/25 às 16:06

Um princípio de incêndio deflagrado na tarde desta quinta-feira (20) provocou correria e a evacuação imediata do principal pavilhão da COP30, conferência climática da ONU realizada em Belém (PA). O incidente, registrado na chamada “Zona Azul” — área de acesso restrito a chefes de delegações, autoridades e imprensa — paralisou as negociações em curso e gerou críticas à segurança da infraestrutura montada para o evento.

As chamas começaram por volta das 14h30 e, segundo relatos de testemunhas, foram precedidas por uma queda de energia e forte cheiro de queimado. Em poucos minutos, a fumaça se espalhou por corredores e salas de reuniões, acionando o sistema de alarme. Delegados de diferentes países abandonaram o local às pressas, muitos deixando documentos e pertences pessoais para trás.

O Corpo de Bombeiros Militar do Pará foi acionado e controlou o fogo em menos de uma hora. A origem do incidente ainda está sendo investigada, mas, de acordo com o Ministério do Turismo, não há registro de feridos. O ministro Celso Sabino, presente no local, afirmou que “todas as medidas de segurança foram cumpridas” e que “o incidente, embora grave, não compromete o andamento geral da conferência”.

Apesar da contenção rápida, o episódio gerou apreensão entre os participantes e colocou em xeque a capacidade logística de Belém em sediar um evento de porte internacional. A COP30 reúne mais de 30 mil participantes de 196 países, incluindo líderes políticos, cientistas, ativistas e representantes do setor privado.

O incêndio ocorreu num momento sensível das negociações, quando delegações tentavam consolidar compromissos sobre financiamento climático e metas de neutralidade de carbono até 2050. A interrupção pode atrasar votações e reuniões bilaterais que estavam agendadas para esta quinta e sexta-feira.

A organização do evento informou que fará uma reavaliação completa da estrutura antes de permitir a reabertura da Zona Azul. Técnicos da ONU, em conjunto com engenheiros civis e autoridades locais, trabalham na inspeção das áreas afetadas.

Nas redes sociais, imagens da evacuação circularam amplamente, gerando críticas à condução do evento e preocupação com a segurança de visitantes internacionais. Líderes de delegações africanas e insulares, muitos dos quais participaram de painéis na hora do incêndio, manifestaram preocupação sobre a transparência das investigações.

O governador do Pará, Helder Barbalho, classificou o episódio como “pontual” e destacou que a cidade está “plenamente apta a continuar sediando os debates mais importantes sobre o futuro do planeta”.

Embora controlado, o incêndio expôs a vulnerabilidade estrutural de eventos temporários montados em regiões com clima extremo e desafios logísticos. A COP30 tem sido apontada como uma oportunidade simbólica para mostrar o protagonismo da Amazônia nas soluções climáticas globais — e o episódio desta quinta-feira lança uma sombra sobre essa tentativa.

Até o fechamento desta notícia, a programação oficial permanecia suspensa na Zona Azul, e uma nova atualização estava prevista para as 21h, quando a ONU deve decidir se retoma os trabalhos na manhã de sexta.

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