Guerra do Vietnã | 50 anos depois, país ainda sofre com devastação ambiental causada por herbicidas dos EUA

Guerra do Vietnã | 50 anos depois, país ainda sofre com devastação ambiental causada por herbicidas dos EUA

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Publicado em 30/04/25 às 12:47

Em 30 de abril de 1975, o som das armas silenciou no Vietnã, marcando o fim de uma guerra brutal que deixou mais do que mortos e destroços urbanos: um território inteiro devastado por ataques ambientais sem precedentes. O uso massivo de herbicidas e armas incendiárias pelos Estados Unidos não apenas transformou o cenário natural do país, mas inaugurou um conceito que assombra até hoje: o “ecocídio”.

Durante os anos de conflito, operações militares como a infame Operation Ranch Hand despejaram cerca de 75 milhões de litros de herbicidas sobre florestas, manguezais, arrozais e até aldeias inteiras. Dentre esses químicos, o mais temido era o Agente Laranja, carregado com dioxina, uma substância altamente tóxica. Mais da metade da pulverização envolveu esse defoliante, provocando a destruição irreversível de aproximadamente 2,6 milhões de hectares de vegetação.

“É impossível olhar para as áreas que antes abrigavam centenas de espécies e não sentir um profundo pesar”, afirma um cientista ambiental que estuda os efeitos da guerra no Vietnã desde os anos 1990. Ele relata que vastas áreas de manguezais costeiros, antes ricas em peixes e aves, foram transformadas em terrenos áridos, agora tomados por gramíneas invasoras e sem vida nativa.

Agente Laranja vietnãAvião americano despejando herbicidas sobre as florestas no Vietnã / Imagem: The Conversation

Mesmo com os alertas de cientistas à época, e a denúncia de que os EUA poderiam estar violando protocolos internacionais, como o Protocolo de Genebra (ainda não ratificado pelos americanos na época), os ataques continuaram. As forças armadas dos EUA argumentavam que os herbicidas usados não se enquadravam como armas químicas.

agente laranja Guerra do VietnãAgente laranja foi o herbicidas mais usado pelos EUA durante a guerra do Vietnã / Imagem: Reprodução

O legado da guerra, no entanto, vai muito além de um capítulo na história. Meio século depois, os solos e as águas do Vietnã ainda estão contaminados por dioxinas, e os esforços para restaurar essas áreas permanecem limitados e negligenciados. Iniciativas de reflorestamento, descontaminação ou até mesmo de monitoramento dos impactos são escassas. Enquanto isso, comunidades seguem expostas a riscos ambientais e de saúde.

A guerra gerou convenções e tratados que buscavam proteger o meio ambiente em tempos de conflito, mas falharam em garantir a restauração pós-guerra. E os conflitos atuais, como os que ocorrem na Ucrânia e no Oriente Médio, mostram que os mesmos erros se repetem: leis frágeis, pouco aplicadas, e vítimas ambientais esquecidas.

O que aconteceu no Vietnã é um alerta para o mundo, diz o especialista.

Não basta legislar durante o conflito. É preciso responsabilizar, restaurar e impedir que a destruição da natureza se torne arma de guerra.

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