
Trump é processado por 12 estados americanos por tarifas comerciais e abuso de poder
Por Sandro Felix
Publicado em 24/04/25 às 17:37
Um grupo de doze estados norte-americanos, em sua maioria governados por democratas, entrou com uma ação judicial nesta quinta-feira (24), contestando as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump. Segundo a ação, o republicano teria agido de forma unilateral e sem respaldo legal ao estabelecer as medidas, usurpando uma competência que, por lei, cabe exclusivamente ao Congresso dos Estados Unidos.
A coalizão de estados, liderada por Nova York e Oregon, solicita ao Judiciário que impeça a administração Trump de continuar aplicando o que classificam como tarifas “ilegais”. Na petição apresentada, os procuradores estaduais argumentam que a atual política comercial nacional “passou a depender dos caprichos do presidente, e não do exercício legítimo de sua autoridade legal”.
Dan Rayfield, procurador-geral do Oregon e autor principal do processo, reforçou o impacto imediato das tarifas sobre os cidadãos.
Quando um presidente impulsiona uma política ilegal que eleva os preços no supermercado e aumenta a conta de luz, não temos o luxo de esperar sentados, declarou.
A iniciativa segue os passos da Califórnia, que na semana anterior já havia ingressado com ação separada. Na ocasião, o estado alegou que a intensificação da guerra comercial provocou “danos imediatos e irreparáveis” à sua economia.
Em resposta, um porta-voz da Casa Branca reagiu com veemência, classificando a ação como uma “caça às bruxas” movida por opositores democratas. “Trata-se de mais uma tentativa partidária de minar as conquistas da administração Trump”, disse o representante, sem entrar em detalhes sobre o mérito da ação.
O processo representa mais um capítulo na crescente tensão entre governos estaduais e a gestão Trump, que tem enfrentado sucessivos desafios judiciais em diversas áreas, da imigração ao meio ambiente.
Ainda não há previsão para a primeira audiência do caso, mas analistas políticos já preveem um embate acalorado no Judiciário, que poderá redefinir os limites entre os poderes Executivo e Legislativo nos Estados Unidos.

