
Pó levantado pelo asteroide que dizimou os dinossauros causou inverno de 15 anos
Por Sandro Felix
Publicado em 01/11/23 às 16:36
Um estudo publicado na revista científica Nature Geoscience sugere que a extinção dos dinossauros pode ter sido causada pela poeira liberada pelo impacto de um gigantesco asteroide, reacendendo o debate sobre os eventos catastróficos que ocorreram há cerca de 66 milhões de anos na Península de Yucatán.
Embora a colisão do asteroide tenha sido reconhecida como o gatilho da extinção em massa, a maneira exata como desencadeou esse evento permaneceu incerta, com ênfase em teorias como o “inverno de impacto” – um período de frio e escuridão global. Em 1980, os cientistas propuseram que a colisão teria lançado uma gigantesca nuvem de poeira, bloqueando a luz solar, prejudicando as plantas e, consequentemente, a cadeia alimentar. No entanto, investigações recentes focaram em outros elementos, como a fuligem e os aerossóis de enxofre.

Para esclarecer este mistério, os pesquisadores conduziram um estudo que combinou simulações computacionais com análises das camadas de sedimentos no sítio paleontológico de Tanis, Dakota do Norte, que preserva detalhes notáveis das consequências do impacto de Chicxulub. Os resultados indicam que uma extensa nuvem de poeira fina cobriu a Terra e permaneceu na atmosfera por 15 anos, reduzindo a temperatura da superfície em 15 graus Celsius e interrompendo a fotossíntese por dois anos.
Uma característica única do estudo é a utilização de dados do sítio de Tanis, que oferece detalhes impressionantes sobre as consequências imediatas do impacto de Chicxulub, permitindo aos cientistas determinar até a estação do ano em que os dinossauros pereceram, um dia de primavera no final do período Cretáceo. Os pesquisadores também descobriram que o tamanho dos grãos de poeira em Tanis era compatível com a capacidade de permanecer na atmosfera por um longo período, o que destaca o papel crucial da poeira na interrupção da fotossíntese.
No entanto, ainda persistem algumas divergências na comunidade científica, com diferentes modelos climáticos oferecendo explicações variadas para as extinções em massa. Além da poeira, fatores como fuligem e aerossóis de enxofre também são considerados elementos-chave.
