Nvidia aposta em nova geração de PCs com IA local e anuncia chip RTX Spark durante a Computex 2026

Nvidia aposta em nova geração de PCs com IA local e anuncia chip RTX Spark durante a Computex 2026

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Publicado em 01/06/26 às 16:59

A Nvidia anunciou nesta segunda-feira (1) uma série de novidades voltadas ao avanço da inteligência artificial (IA), incluindo um novo chip para computadores pessoais capaz de executar agentes de IA diretamente em notebooks e desktops, sem depender exclusivamente da nuvem. A apresentação foi realizada pelo CEO da companhia, Jensen Huang, durante a abertura da Computex 2026, uma das principais feiras globais de tecnologia, realizada em Taipé.

Batizado de RTX Spark, o novo processador é resultado de uma colaboração de três anos entre Nvidia, Microsoft e MediaTek. Segundo a empresa, a tecnologia representa um passo importante na transformação dos computadores pessoais em plataformas capazes de executar tarefas complexas de inteligência artificial localmente.

O computador está sendo reinventado. Durante quarenta anos, os usuários abriram aplicativos e executaram comandos. Agora, com o RTX Spark e o Windows, basta pedir e o computador faz o trabalho, afirmou Huang durante sua palestra de abertura.

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Nova arquitetura para a era da IA

O RTX Spark combina uma GPU baseada na arquitetura Blackwell, com 6.144 núcleos CUDA e Tensor Cores de quinta geração, a um processador Grace CPU de 20 núcleos. Ambos são conectados por meio da tecnologia NVLink da Nvidia.

A empresa afirma que o chip pode entregar até 1 petaflop de processamento para IA e contar com até 128 GB de memória unificada, permitindo executar tarefas consideradas altamente exigentes para computadores convencionais.

Entre as capacidades destacadas pela fabricante estão a edição de vídeos em resolução 12K, renderização de cenas tridimensionais de até 90 GB, execução local de modelos de linguagem com até 120 bilhões de parâmetros e jogos de última geração em resolução 1440p acima de 100 quadros por segundo.

Os primeiros equipamentos equipados com RTX Spark chegarão ao mercado no segundo semestre deste ano, produzidos por fabricantes como Asus, Dell, HP, Lenovo, Microsoft Surface e MSI.

Entrada mais agressiva no mercado Windows

Outro anúncio de destaque foi o lançamento do Vera CPU, novo processador desenvolvido pela Nvidia para aplicações de inteligência artificial, aprendizado por reforço e processamento de dados em larga escala.

A novidade marca a entrada mais contundente da companhia no segmento de computadores Windows, tradicionalmente dominado por fabricantes parceiros da Microsoft e, mais recentemente, pela Qualcomm no universo dos chips baseados em arquitetura Arm.

De acordo com a Nvidia, o Vera conta com 88 núcleos Olympus, tecnologia de multithreading espacial e largura de banda de memória que pode atingir 1,2 terabyte por segundo.

Empresas como OpenAI, Anthropic e SpaceX já figuram entre os primeiros usuários da nova plataforma. A Anthropic, por exemplo, avalia utilizar o processador para ampliar cargas de trabalho relacionadas a agentes autônomos de IA.

Durante uma conferência de resultados financeiros realizada no mês passado, Huang classificou o Vera como um potencial motor de crescimento para a companhia, que passa a disputar um mercado estimado em US$ 200 bilhões.

Supercomputador pessoal para IA

A Nvidia também revelou o DGX Station para Windows, uma estação de trabalho voltada para o desenvolvimento e operação de agentes de inteligência artificial de grande porte.

O equipamento utiliza a GPU Grace Blackwell Ultra GB300 e um processador Grace de 72 núcleos, oferecendo até 20 petaflops de desempenho em operações FP4 e capacidade para executar modelos com até 1 trilhão de parâmetros localmente.

Outro diferencial está na conectividade. O sistema contará com a tecnologia ConnectX-8 SuperNIC, capaz de oferecer velocidades de rede de até 800 Gb/s, facilitando a integração de múltiplas estações para cargas ainda maiores de processamento.

A expectativa é que fabricantes como Asus, Dell, Gigabyte, HP, MSI e Supermicro lancem versões comerciais do equipamento até o quarto trimestre deste ano.

Ferramentas abertas para robótica e veículos autônomos

Além do hardware, a Nvidia apresentou uma coleção de ferramentas de código aberto voltadas ao desenvolvimento de robôs, veículos autônomos, sistemas de visão computacional e gêmeos digitais industriais.

As soluções fazem parte do chamado Agent Toolkit, plataforma que transforma processos de desenvolvimento de IA física em fluxos automatizados capazes de serem executados por agentes inteligentes.

Segundo a empresa, os novos recursos estarão disponíveis em plataformas abertas e poderão ser utilizados por desenvolvedores em conjunto com serviços de nuvem oferecidos por empresas como Microsoft, CoreWeave e Nebius.

Cosmos 3 e Alpamayo 2 ampliam estratégia em IA física

No campo dos modelos de inteligência artificial, a Nvidia apresentou o Cosmos 3, descrito pela companhia como o primeiro modelo totalmente aberto capaz de compreender e gerar texto, imagens, vídeos, sons ambientes e ações físicas em um único sistema.

A empresa afirma que a ferramenta pode reduzir ciclos de treinamento e avaliação de sistemas de IA física de meses para apenas alguns dias.

Também foi anunciado o Alpamayo 2 Super, modelo com 32 bilhões de parâmetros voltado para raciocínio multimodal e desenvolvimento de aplicações para robotáxis.

A novidade será acompanhada por um conjunto de ferramentas para captura de dados do mundo real, treinamento contínuo e implantação de sistemas embarcados em veículos autônomos.

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Corrida pela IA se intensifica

Os anúncios reforçam a estratégia da Nvidia de expandir sua atuação para além do mercado de chips para data centers, setor que impulsionou o crescimento da companhia nos últimos anos.

Ao levar recursos avançados de inteligência artificial diretamente para computadores pessoais e ampliar sua presença em hardware, software e robótica, a empresa busca consolidar sua posição como uma das principais fornecedoras de infraestrutura para a próxima geração de aplicações baseadas em IA.

As novidades apresentadas na Computex 2026 indicam que a disputa pelo futuro da computação pessoal e da inteligência artificial deve se intensificar nos próximos meses, com grandes fabricantes de tecnologia apostando cada vez mais em processamento local e agentes autônomos capazes de executar tarefas complexas sem depender integralmente da nuvem.

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