
Júpiter não orbita o Sol como se imaginava, apontam novos estudos
Por Sandro Felix
Publicado em 29/04/26 às 08:04
Desde que o astrônomo italiano Galileo Galilei apontou seu telescópio rudimentar para o céu em 7 de janeiro de 1610 e identificou as luas de Júpiter, a compreensão humana sobre o cosmos passou por uma transformação profunda. A descoberta foi a primeira evidência concreta de que nem todos os corpos celestes orbitam a Terra, enfraquecendo o modelo geocêntrico e abrindo caminho para a consolidação da teoria heliocêntrica.
Séculos depois, novas análises mostram que a história é ainda mais complexa do que se ensinava nos livros escolares. Embora o Sol concentre cerca de 99,86% de toda a massa do Sistema Solar, nem mesmo ele é o centro absoluto das órbitas planetárias. Isso ocorre porque a gravidade atua de forma mútua entre os corpos, fazendo com que planetas e estrelas girem em torno de um ponto comum chamado baricentro — o centro de massa do sistema.
No caso de Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, essa dinâmica se torna evidente. Com massa equivalente a 318 vezes a da Terra e representando aproximadamente 70% da massa total dos planetas, o gigante gasoso exerce influência gravitacional suficiente para deslocar o baricentro do sistema Sol-Júpiter para fora da superfície solar. Na prática, isso significa que nem Júpiter orbita exatamente o Sol, nem o Sol permanece completamente fixo enquanto os planetas giram ao seu redor.
Segundo explicações da NASA, todos os objetos do Sistema Solar — incluindo planetas, luas, asteroides e cometas — orbitam esse centro de massa coletivo. “O baricentro é o ponto onde toda a massa do sistema se equilibra. O Sol, a Terra e todos os planetas orbitam ao redor dele”, informa a agência.
Esse fenômeno não se limita aos gigantes gasosos. A própria Terra e sua Lua também giram em torno de um baricentro localizado a cerca de 5 mil quilômetros do centro do planeta. De forma semelhante, nem mesmo os satélites naturais de Plutão orbitam exatamente o corpo principal, mas sim um ponto comum entre eles.
A influência combinada de Júpiter e Saturno faz com que o baricentro do Sistema Solar raramente coincida com o centro do Sol, podendo inclusive ficar fora dele em determinados períodos. Simulações recentes divulgadas por astrônomos mostram esse deslocamento ao longo do tempo, reforçando a ideia de que o modelo simplificado ensinado nas escolas — no qual todos os planetas giram ao redor do Sol — é apenas uma aproximação didática.
Apesar de a diferença não ter impacto direto na vida cotidiana na Terra, a revisão desse conceito revela como o conhecimento científico evolui com o tempo. O que começou com as observações de Galileu há mais de quatro séculos continua sendo refinado por estudos modernos, mostrando que até mesmo no Sistema Solar há nuances que desafiam explicações aparentemente consolidadas.

