
Lisuan LX 7G106: a nova GPU chinesa que desafiará a Nvidia em 2026
Por Sandro Felix
Publicado em 13/03/26 às 17:02
O mercado global de hardware para computadores vive um novo momento com o anúncio da Lisuan LX 7G106, primeira placa de vídeo voltada ao consumidor desenvolvida e fabricada integralmente na China. O produto, apresentado nesta semana com pré-venda já aberta, tem entregas previstas para junho de 2026 e surge como tentativa do país asiático de reduzir a dependência tecnológica de empresas estrangeiras em um setor dominado por poucas fabricantes.
A nova GPU é produzida pela empresa chinesa Lisuan e se posiciona no segmento intermediário, tradicionalmente ocupado por modelos populares de fabricantes como a Nvidia. A placa utiliza o chip 7G106, desenvolvido sob a arquitetura chamada pela empresa de TrueGPU, e fabricado em processo de 6 nanômetros com litografia DUV — tecnologia menos avançada do que os métodos mais modernos usados pela indústria, mas ainda capaz de entregar desempenho competitivo.
Segundo a fabricante, a placa alcança 24 teraflops de desempenho em operações FP32, nível de potência teórica comparável ao da GeForce RTX 4060, uma das GPUs mais populares da atual geração. A comparação despertou atenção da comunidade gamer e de analistas do setor, que veem no lançamento um possível marco para a indústria chinesa de semicondutores.
A Lisuan LX 7G106 também traz 12 GB de memória GDDR6 conectados por uma interface de 192 bits, especificação considerada adequada para jogos atuais em resolução Full HD e, em alguns casos, Quad HD. Embora não ofereça suporte nativo às tecnologias mais recentes de gráficos, como ray tracing ou DirectX 12 Ultimate, a placa mantém compatibilidade com DirectX 12 padrão, Vulkan 1.3 e OpenGL 4.6, o que garante funcionamento da maioria dos títulos disponíveis no mercado.
Testes preliminares divulgados por analistas indicam que a placa consegue manter taxas de quadros estáveis em jogos exigentes, como Cyberpunk 2077, Black Myth: Wukong e Resident Evil 4 Remake. Em benchmarks sintéticos, como o 3DMark Fire Strike, o modelo registrou cerca de 26,8 mil pontos, resultado que a coloca na mesma faixa de desempenho de GPUs intermediárias recentes.
Além do público gamer, a Lisuan tenta atrair criadores de conteúdo. A placa inclui um motor dedicado para aceleração de vídeo capaz de decodificar formatos AV1 e HEVC em resolução de até 8K a 60 quadros por segundo. O modelo oferece quatro saídas DisplayPort 1.4, mas não possui portas HDMI — decisão que, segundo a empresa, foi tomada para reduzir custos de licenciamento e permitir um preço mais competitivo.
O lançamento ocorre em meio a um esforço mais amplo do governo e da indústria chinesa para fortalecer a autossuficiência tecnológica, especialmente após restrições comerciais impostas por países ocidentais ao acesso da China a tecnologias avançadas de semicondutores.
A empresa afirma que a GPU foi projetada para funcionar com plataformas amplamente usadas no mercado global, incluindo processadores Intel e AMD, além de chips de fabricantes chinesas como Loongson e Zhaoxin. O suporte a Windows e diferentes distribuições de Linux também foi confirmado.
Especialistas avaliam que, se a Lisuan conseguir ampliar a distribuição internacional a partir da segunda metade de 2026, o movimento poderá alterar o equilíbrio do setor de placas gráficas dedicadas, historicamente dominado por poucas empresas.
Por enquanto, o impacto real da nova GPU dependerá de fatores como preço final, disponibilidade fora da China e maturidade dos drivers, elementos considerados decisivos para a adoção por jogadores e profissionais. Ainda assim, o lançamento da LX 7G106 já é visto como um sinal de que a indústria chinesa de hardware busca ocupar um espaço mais relevante no mercado global de gráficos.

