Resident Evil Requiem utiliza 5 sistemas de proteção contra pirataria na versão para PC

Resident Evil Requiem utiliza 5 sistemas de proteção contra pirataria na versão para PC

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Publicado em 06/03/26 às 17:09

Um grupo de hackers afirma ter conseguido contornar, em tempo recorde, os sistemas de proteção contra pirataria presentes na versão para PC de Resident Evil Requiem, novo título da Capcom lançado recentemente. Segundo informações divulgadas pelo coletivo conhecido como HyperVisor, o jogo utiliza simultaneamente cinco diferentes tecnologias de DRM (gestão de direitos digitais).

De acordo com o grupo, o título reúne o DRM padrão da plataforma Steam, o controverso Denuvo, o sistema de proteção VMProtect, uma tecnologia própria anti-tamper desenvolvida pela Capcom e o SteamStub. A combinação de múltiplas camadas de proteção tem se tornado uma estratégia comum entre grandes estúdios para tentar evitar ou atrasar a distribuição não autorizada de seus jogos.

O método divulgado pelo HyperVisor afirma ter conseguido contornar todas essas proteções. A revelação chamou atenção da comunidade de jogos para PC porque o processo teria ocorrido apenas um dia após o lançamento oficial do game, período considerado incomum para títulos que utilizam Denuvo, sistema conhecido por dificultar a quebra de proteção nas primeiras semanas após a estreia.

Entre os mecanismos listados pelo grupo, alguns já eram conhecidos. O Denuvo é amplamente usado pela indústria e costuma ser associado a uma janela de proteção inicial que pode durar semanas ou meses. Já o VMProtect, ferramenta de ofuscação de código, aparece em diversos jogos recentes e também é utilizado por empresas como a Ubisoft.

O DRM da Steam é considerado padrão para praticamente todos os jogos vendidos na plataforma da Valve. Já a tecnologia anti-tamper da Capcom tem sido adotada pela empresa em lançamentos mais recentes para reforçar a proteção do executável.

O componente menos conhecido é o SteamStub. Trata-se de um sistema básico incluído no kit de desenvolvimento Steamworks que funciona como um “wrapper” de segurança. Na prática, ele criptografa o arquivo executável do jogo e exige que ele seja iniciado por meio de um cliente Steam autenticado, dificultando modificações e acessos não autorizados.

DRM Denuvo

Apesar da divulgação do método de bypass, especialistas e membros da comunidade alertam para riscos associados ao uso dessas ferramentas. Versões divulgadas atualmente exigem que usuários desativem diversos recursos de segurança do Windows para funcionar, prática considerada perigosa por especialistas em segurança digital.

O próprio grupo HyperVisor afirma trabalhar em uma versão futura que não exigirá esse tipo de alteração no sistema operacional. Segundo a equipe, a ideia é que futuras ferramentas funcionem de forma “plug-and-play”, bastando inserir os arquivos na pasta do jogo para que o sistema de proteção seja contornado.

Caso essa promessa se concretize, analistas avaliam que o impacto pode ser significativo para a eficácia do Denuvo. Um dos principais argumentos comerciais do sistema sempre foi justamente a capacidade de impedir a pirataria nas primeiras semanas de lançamento, período considerado crucial para as vendas de jogos.

Enquanto isso, Resident Evil Requiem tem recebido avaliações positivas no aspecto técnico da versão para PC. Testes realizados por jogadores indicam desempenho estável e boa otimização, com suporte a tecnologias avançadas de iluminação como Path Tracing. Mesmo sem ray tracing ativado, o jogo consegue manter cerca de 60 quadros por segundo em 1080p com configurações máximas em placas como a RTX 2080 Ti.

A Capcom, por sua vez, tem adotado uma política recorrente de remover o Denuvo de seus jogos mais antigos após algum tempo de mercado. Em fevereiro, por exemplo, a empresa retirou o sistema de Resident Evil 4 Remake. Títulos como Resident Evil Village, Monster Hunter Rise e Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin também já tiveram a proteção removida.

Outros jogos da série, como Resident Evil 2 Remake e Resident Evil 3 Remake, atualmente também não utilizam mais o sistema. Em julho de 2025, a empresa japonesa removeu o Denuvo de Kunitsu-Gami: Path of the Goddess, seguindo uma tendência observada em outras companhias do setor.

Diversas editoras vêm abandonando a tecnologia após o período inicial de vendas. A Krafton retirou o sistema de The Callisto Protocol em 2023, enquanto a Neowiz fez o mesmo com Lies of P. A Gearbox também removeu a proteção de Homeworld 3 em outubro de 2024.

A Square Enix segue estratégia semelhante. A empresa retirou o Denuvo de jogos como Forspoken, VALKYRIE ELYSIUM, TRIANGLE STRATEGY e LIVE A LIVE, além de Star Ocean The Second Story R e Final Fantasy XVI. A série Octopath Traveler também deixou de utilizar a tecnologia.

Outras produtoras adotaram medidas parecidas. Jogos como Doom Eternal, Ghostwire: Tokyo e Wolfenstein: Youngblood, da Bethesda, não utilizam mais o sistema. A Warner Bros retirou a proteção de Mortal Kombat 11 e Gotham Knights, enquanto a Bandai Namco fez o mesmo com Tekken 7 e Naruto to Boruto: Shinobi Striker.

O caso envolvendo Resident Evil Requiem reacende o debate sobre a eficácia e o impacto de sistemas de proteção contra pirataria no mercado de jogos para PC, especialmente em um cenário em que novas técnicas de contorno parecem surgir cada vez mais rapidamente.

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