China critica ameaça comercial de Trump contra Espanha e amplia tensão diplomática

China critica ameaça comercial de Trump contra Espanha e amplia tensão diplomática

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Publicado em 04/03/26 às 16:30

A crise diplomática provocada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Espanha ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (4), após uma resposta direta do governo chinês. Em declaração oficial, o Ministério das Relações Exteriores da China afirmou que o comércio internacional não deve ser utilizado como “ferramenta” ou “arma” de pressão política, numa reação clara às ameaças feitas por Trump ao governo espanhol.

A posição foi expressa pela porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, durante a coletiva de imprensa diária em Pequim. Segundo ela, o uso de relações comerciais como instrumento de coerção “não contribui para a estabilidade econômica global nem para o diálogo entre países”.

A declaração surge depois de Trump afirmar que os Estados Unidos poderiam cortar totalmente o comércio com a Espanha caso o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez mantenha a decisão de não autorizar o uso das bases militares de Rota e Morón em operações relacionadas aos recentes ataques contra o Irã.

china e espanha

Pequim amplia crítica e questiona ofensiva contra o Irã

Além de rejeitar o uso político do comércio, a diplomacia chinesa aproveitou a ocasião para reforçar sua posição sobre o conflito no Oriente Médio. Mao Ning afirmou que os ataques conduzidos pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos iranianos violam o direito internacional, reiterando a posição defendida por Pequim desde o início da escalada militar na região.

Ao conectar os dois temas — a ofensiva militar e a ameaça comercial —, a China sinaliza que vê a postura de Washington como parte de uma estratégia mais ampla de pressão geopolítica.

guerra no irã

A tensão começou a escalar na terça-feira (3), durante uma coletiva de imprensa em Washington em que Trump apareceu ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz. Na ocasião, o presidente norte-americano afirmou que os Estados Unidos poderiam “cortar todo o comércio” com a Espanha.

Trump criticou o governo espanhol por dois motivos que passou a tratar como parte do mesmo impasse político: a recusa em autorizar o uso das bases militares para operações relacionadas ao conflito com o Irã e a decisão de Madri de não aumentar seu orçamento militar para 5% do Produto Interno Bruto, meta que o presidente norte-americano vem pressionando os aliados europeus da OTAN a adotar.

Em Madri, o governo espanhol respondeu de forma cautelosa, mas sem recuar na posição. O ministro das Relações Exteriores, José Manuel Albares, afirmou que a decisão sobre o uso das bases militares respeita o direito internacional e lembrou que, embora sejam utilizadas conjuntamente com os Estados Unidos, as instalações permanecem sob soberania espanhola.

Nos bastidores, integrantes do governo também ressaltam que uma eventual ruptura comercial não poderia ocorrer de forma unilateral, já que a política comercial da Espanha é conduzida no âmbito da União Europeia.

Esse ponto tem sido destacado por líderes europeus desde que Trump fez as declarações. Autoridades da União Europeia e o próprio governo alemão indicaram que não aceitariam medidas punitivas direcionadas exclusivamente à Espanha, reforçando que qualquer disputa comercial com Washington deve ser tratada no nível do bloco.

Para analistas diplomáticos, o episódio revela como o conflito no Oriente Médio tem provocado repercussões além da região, envolvendo disputas comerciais, alianças militares e rivalidades entre grandes potências.

Ao entrar no debate, Pequim também busca reforçar seu discurso contra o que chama de “coerção econômica” e apresentar-se como defensora de regras multilaterais no comércio internacional, em contraste com a postura mais confrontadora adotada pela Casa Branca.

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