
TikTok vende sua subsidiária americana para investidores dos Estados Unidos e de Abu Dhabi
Por Sandro Felix
Publicado em 19/12/25 às 16:09
A venda da versão norte-americana do TikTok foi oficialmente concluída nesta sexta-feira (19), marcando uma mudança histórica no controle da popular rede social. A chinesa ByteDance, dona da plataforma, assinou o acordo de transferência de 50% das ações da operação estadunidense para um consórcio formado por investidores dos Estados Unidos e um fundo soberano de Abu Dabi. O objetivo é atender às exigências de segurança nacional impostas pelo governo dos EUA.
A nova estrutura jurídica, batizada de TikTok USDS Joint Venture LLC, será responsável por todas as operações da plataforma no território americano. Segundo fontes citadas pela imprensa internacional, o acordo foi finalizado após meses de negociações e deve servir como modelo para futuras parcerias entre empresas de tecnologia globais e governos que buscam maior controle sobre dados de seus cidadãos.
De acordo com informações divulgadas pelo The Hollywood Reporter, o CEO global do TikTok, Shou Chew, comunicou internamente que a nova empresa contará com três principais investidores: a Oracle Corporation, a Silver Lake e o fundo soberano MGX, de Abu Dabi. Juntas, essas entidades deterão 45% das ações da filial norte-americana.
Outros 5% serão distribuídos entre investidores menores, completando assim a fatia de 50% que ficará oficialmente sob controle não chinês. A ByteDance manterá 19,9% da participação, enquanto o restante — 30,1% — continuará nas mãos de alguns de seus atuais investidores internacionais.
Segundo Chew, a criação da TikTok USDS Joint Venture LLC representa “um passo fundamental para garantir a independência operacional e a proteção dos dados dos usuários norte-americanos”.
Oracle assume papel central na proteção de dados
Um dos pontos mais sensíveis do novo acordo é o envolvimento da Oracle na gestão da segurança digital. A empresa norte-americana será responsável pelo armazenamento e pela proteção dos dados dos usuários dos Estados Unidos.
Além disso, os algoritmos de recomendação de conteúdo do TikTok passarão por um processo de re-treinamento com dados locais, evitando possíveis influências externas e assegurando maior transparência na forma como os vídeos são recomendados e distribuídos na plataforma.
Essa medida busca reconstruir a confiança do público e responder às preocupações do governo norte-americano — que desde 2020 pressiona a ByteDance a reduzir sua presença e influência sobre o aplicativo em solo americano, sob o argumento de riscos à segurança nacional.
Dúvidas sobre a motivação real do acordo
Apesar de o governo dos EUA ter enquadrado a operação como uma questão de “segurança nacional”, a participação de um fundo soberano árabe entre os principais investidores despertou desconfianças entre analistas.
Especialistas em geopolítica e economia digital avaliam que o acordo pode ter motivações mais comerciais do que estratégicas, abrindo espaço para novos atores internacionais em um setor dominado por empresas ocidentais e chinesas. Ainda assim, o modelo adotado pelos EUA é visto como uma solução de compromisso para evitar a proibição total da plataforma, hipótese discutida em diversos momentos desde 2020.
A transferência de controle está programada para ser oficialmente concluída em 22 de janeiro de 2026, data em que o TikTok USDS Joint Venture LLC assumirá integralmente as operações nos Estados Unidos.
Enquanto isso, o TikTok continuará mantendo sua sede global nas Ilhas Cayman e escritórios regionais no Reino Unido, em Singapura e na Austrália.
Segundo comunicado interno, a divisão norte-americana passará a dar prioridade à moderação de conteúdo, ao reforço das políticas internas e à transparência algorítmica. Essas mudanças, de acordo com analistas, podem redefinir o papel da TikTok no Ocidente e marcar o início de uma nova fase na regulação global de plataformas digitais.


