
Celulares com menos RAM podem dominar o mercado em 2026 — e a inteligência artificial será a responsável por isso
Por Sandro Felix
Publicado em 14/12/25 às 06:37
O próximo grande salto na indústria dos smartphones pode não vir do design nem das câmeras — e sim da memória RAM. Relatórios recentes apontam que os celulares de 2026 podem chegar ao mercado com menos RAM que os modelos atuais, em uma decisão que reflete tanto a escassez global de chips quanto o crescimento acelerado da inteligência artificial (IA).
De acordo com informações divulgadas por analistas, os preços da memória DRAM devem subir significativamente no início de 2026, pressionando os custos de produção e levando as fabricantes a reduzir especificações técnicas para manter os preços competitivos. A previsão é confirmada pela consultoria TrendForce, que projeta um aumento drástico no valor da memória durante o primeiro trimestre do próximo ano.
Menos RAM, mas mais eficiência
A tendência pode parecer um retrocesso — afinal, durante anos, o marketing dos smartphones foi centrado em números crescentes de memória RAM. No entanto, o cenário é mais complexo. Modelos com 16 GB de RAM devem desaparecer gradualmente, enquanto aparelhos com 4 GB ou 6 GB devem voltar a ganhar força no mercado. Até mesmo os dispositivos com 8 GB de RAM podem sofrer uma redução de até 50% na oferta, segundo projeções do setor.
Mas, paradoxalmente, essa mudança não deve significar uma piora na experiência de uso. Isso porque a IA desempenhará um papel central na otimização do desempenho. Com sistemas operacionais e aplicativos cada vez mais inteligentes, os smartphones poderão gerenciar dinamicamente o uso da memória, priorizando processos essenciais e transferindo tarefas menos urgentes para a nuvem.
Em outras palavras, os celulares do futuro poderão fazer mais com menos. A IA permitirá liberar e realocar RAM conforme a necessidade, o que tende a reduzir o consumo energético e aumentar a eficiência geral do sistema.
A IA como motor da transformação
O avanço da inteligência artificial generativa e corporativa está no centro dessa reconfiguração industrial. As grandes empresas de semicondutores estão priorizando a produção de memórias de alto desempenho (HBM) voltadas para servidores e centros de dados, onde as margens de lucro são muito maiores do que no mercado de consumo.
Esse redirecionamento tem provocado uma escassez na oferta de RAM tradicional, o que pressiona os preços e força fabricantes de smartphones, notebooks e outros eletrônicos a repensar suas estratégias.
O diretor executivo da HP, Enrique Lores, destacou recentemente que os chips de memória já representam entre 15% e 18% do custo total de produção de um computador. Esse aumento nos custos obriga as marcas a ajustar preços e reduzir especificações técnicas, sem necessariamente sacrificar o desempenho.
Smartphones mais inteligentes, não mais potentes
A nova geração de dispositivos móveis deverá se apoiar fortemente em sistemas operacionais otimizados por IA. Esses sistemas serão capazes de decidir, em tempo real, quais aplicativos permanecem ativos em segundo plano e quais processos podem ser pausados ou executados remotamente. Essa abordagem permitirá que os aparelhos mantenham uma experiência fluida e rápida mesmo com menos memória física disponível.
Essa mudança também abre caminho para uma integração mais profunda entre hardware e software, com o objetivo de maximizar a eficiência. As fabricantes já investem em soluções que combinam processadores neurais (NPUs) e modelos de IA generativa embarcados, o que promete transformar a forma como os smartphones administram seus recursos.
Um futuro com mais inteligência e menos exageros
A possível chegada de celulares com menos RAM representa uma mudança de paradigma na indústria. Depois de anos de corrida por números impressionantes — câmeras com múltiplas lentes, telas cada vez maiores e quantidades de RAM dignas de um computador — o foco parece se deslocar para a eficiência inteligente.
Os consumidores, por sua vez, poderão se beneficiar de dispositivos mais acessíveis e mais sustentáveis, já que a redução no uso de componentes físicos também implica menos desperdício e menor impacto ambiental.
O desafio para as fabricantes será equilibrar custos, desempenho e percepção de valor. Em um mercado altamente competitivo, convencer o público de que “menos” pode, na verdade, significar “melhor” exigirá mais do que campanhas publicitárias: será necessário mostrar resultados concretos.



