Pasta térmica SGT-4 vira alvo de polêmica internacional após suspeita de corrosão e danos irreversíveis em processadores

Pasta térmica SGT-4 vira alvo de polêmica internacional após suspeita de corrosão e danos irreversíveis em processadores

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Publicado em 21/10/25 às 16:58

A pasta térmica SGT-4, fabricada na Coreia do Sul e vendida em larga escala em lojas online pelo mundo, tornou-se o centro de uma polêmica internacional após investigações apontarem que o composto pode liberar vapores ácidos capazes de corroer metais e danificar permanentemente componentes de computadores. O caso, que começou com relatos de usuários e testes independentes, vem gerando preocupação entre entusiastas de hardware e profissionais da área.

De acordo com uma análise conduzida pelo especialista Igor Wallosek, a SGT-4, embora anunciada como uma pasta à base de silicone PMDS, contém um aditivo reativo conhecido como silicone RTV de cura acetóxica. Essa substância, ao entrar em contato com a umidade, libera ácido acético, o mesmo componente encontrado no vinagre — fato que explica o forte odor característico relatado por consumidores.

O problema, segundo Wallosek, é que o ácido acético reage com metais, especialmente com o cobre, utilizado em grande parte dos coolers e dissipadores térmicos. Essa reação provoca oxidação, descoloração e corrosão, formando pequenas crateras conhecidas como “ant nest corrosion” (corrosão em forma de ninho de formigas). “Os testes mostraram uma degradação clara nas superfícies metálicas, o que compromete tanto o desempenho térmico quanto a integridade física das peças”, explicou o pesquisador em seu relatório.

pasta térmica SGT-4

Além da corrosão, o composto apresenta um comportamento de adesão indesejado, agindo como uma espécie de cola entre o dissipador e o processador. Em alguns casos, a remoção do cooler se torna extremamente difícil, com risco de arrancar o chip da placa-mãe — uma situação comparável a experimentos anteriores em que uma inteligência artificial sugeriu o uso de Nutella como substituto da pasta térmica, resultando em danos catastróficos.

Desempenho abaixo do esperado

Nos testes laboratoriais conduzidos por Igor Wallosek, a SGT-4 também apresentou resultados muito inferiores aos valores de condutividade térmica anunciados pela fabricante. A hipótese dos pesquisadores é que as reações químicas que corroem o cobre criam microimperfeições entre o processador e o dissipador, reduzindo a eficiência da transferência de calor. Na prática, o que deveria melhorar o resfriamento acaba prejudicando o desempenho térmico — um problema que contrasta com as novas tecnologias de resfriamento por nanotubos de carbono, consideradas alternativas promissoras à pasta térmica tradicional.

Usuários confirmam danos visíveis

As suspeitas não ficaram restritas aos laboratórios. Em fóruns sul-coreanos como o Quasarzone, dezenas de usuários publicaram imagens de processadores e coolers com marcas de corrosão, descoloração e manchas irregulares. Alguns relataram que as inscrições de identificação da CPU foram apagadas após o uso da SGT-4, um sinal de degradação química severa.

“Quando removi o cooler, notei que a base de cobre estava manchada e o dissipador parecia colado ao processador”, relatou um dos usuários no fórum. Outros afirmaram que a limpeza exigiu ferramentas e solventes específicos, com risco de quebrar o chip.

pasta térmica SGT-4

processador corroído pela pasta térmica SGT-4

processador corroído pela pasta térmica SGT-4

Fabricante reage com ironia e nega problema

A empresa responsável pela SGT-4, identificada como Amech (ou Aimac em alguns mercados), foi procurada por consumidores e pela imprensa, mas a resposta oficial apenas aumentou a controvérsia. Em vez de esclarecer a composição química do produto ou apresentar dados técnicos, representantes da marca negaram as acusações e chegaram a insultar os investigadores, referindo-se a Wallosek apenas como “a pessoa da Alemanha”.

A Amech afirmou que a pasta térmica cumpre as normas RoHS e REACH, certificações que restringem o uso de substâncias tóxicas em produtos eletrônicos. No entanto, especialistas ressaltam que esses selos não avaliam o comportamento químico de materiais durante o uso, e portanto, não garantem segurança contra corrosão metálica.

Até o momento, a fabricante não divulgou a composição completa da SGT-4 nem apresentou contraprovas científicas que refutem as descobertas. O caso vem sendo amplamente debatido em comunidades técnicas internacionais, e muitos revendedores online já começaram a restringir ou retirar o produto de seus catálogos diante das denúncias.

pasta térmica

A controvérsia em torno da SGT-4 levanta um alerta importante sobre o uso de compostos térmicos sem certificação técnica detalhada. Apesar do preço acessível e das boas avaliações iniciais, especialistas recomendam cautela e a preferência por marcas reconhecidas, com histórico de desempenho comprovado e formulação transparente.

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