Fóssil descoberto na Escócia intriga cientistas ao revelar mistura de traços de cobra e lagarto

Fóssil descoberto na Escócia intriga cientistas ao revelar mistura de traços de cobra e lagarto

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Publicado em 03/10/25 às 16:20

Pesquisadores acabam de dar um novo passo em um dos maiores enigmas da paleontologia: a origem das cobras. Um fóssil encontrado na Ilha de Skye, na Escócia, e analisado ao longo de quase uma década, revelou um animal com características híbridas entre cobras e lagartos, levantando ainda mais questões sobre a evolução desses répteis.

O espécime, descoberto em 2016, foi batizado de Breugnathair elgolensis — que significa “falsa cobra de Elgol”, em referência à vila onde foi encontrado. Embora esteja incompleto, o fóssil foi reconstruído e mostrou um corpo curto e com membros semelhantes aos de um lagarto, mas possuía mandíbulas e dentes curvos típicos de cobras, lembrando inclusive um píton.

Breugnathair elgolensisReprodução artística do Breugnathair elgolensis / Imagem: Brennan Stokkermans

Apesar das semelhanças, cobras e lagartos são parentes apenas distantes dentro do grupo dos escamados (Squamata), que reúne hoje cerca de 12 mil espécies. O B. elgolensis foi incluído em uma nova família, chamada Parviraptoridae, formada até então apenas por fragmentos pouco informativos, considerados possíveis ancestrais das cobras.

Breugnathair elgolensis dentesBreugnathair elgolensis se alimentando de um pequeno mamífero / Imagem: Reprodução

Segundo os pesquisadores, o fóssil data de 167 milhões de anos e representa um achado fundamental para compreender a história evolutiva desses animais. “As cobras são notáveis por terem evoluído de ancestrais com corpo de lagarto para formas alongadas e sem membros. O Breugnathair tem dentes e mandíbulas de cobra, mas, em outros aspectos, é surpreendentemente primitivo”, explicou Roger Benson, curador de paleontologia no Museu Americano de História Natural e um dos líderes do estudo.

A pesquisa envolveu quase dez anos de análises detalhadas, incluindo exames de imagem por raio-X e tomografia computadorizada (CT scan), além de estudos genéticos e morfológicos. O fóssil conserva 32 vértebras, partes dos fêmures e tíbias, além de marcas de crescimento que sugerem que o animal viveu pelo menos nove anos. Elementos semelhantes aos de lagartos, como características do crânio e dos ossos, também foram identificados.

fóssil Breugnathair elgolensis

Os cientistas estimam que o animal tinha cerca de 40 centímetros de comprimento e provavelmente se alimentava de pequenos lagartos, mamíferos e até filhotes de dinossauros. Houve dúvidas iniciais se os restos fósseis poderiam pertencer a mais de um animal, mas os dados apontam tratar-se de um único indivíduo com traços mistos.

Para Susan Evans, da University College London, que co-liderou o estudo, a descoberta representa um avanço significativo

Descrevi os parviraptorídeos há 30 anos a partir de materiais fragmentados. Encontrar esse fóssil agora é como achar a tampa de uma caixa de quebra-cabeça muito tempo depois de tentar montar a imagem só com algumas peças.

O estudo completo foi publicado nesta semana na revista científica Nature.

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