
Trump processa The Wall Street Journal em US$ 10 bilhões por difamação ligada a caso Epstein
Por Sandro Felix
Publicado em 19/07/25 às 16:13
Donald Trump — atual presidente dos Estados Unidos — protocolou nesta sexta-feira (18) um processo por difamação contra o jornal The Wall Street Journal, sua editora Dow Jones, o conglomerado News Corp, o magnata Rupert Murdoch e dois repórteres. Ele pede o valor recorde de US$ 10 bilhões, alegando que o veículo publicou uma reportagem “falsa, maliciosa e difamatória” que teria causado prejuízos financeiros e danos à sua reputação.
A matéria em questão, publicada em 17 de julho, relata uma carta de aniversário supostamente enviada por Trump a Jeffrey Epstein em 2003, contendo um desenho de conotação sexual e frases enigmáticas, como “Feliz aniversário — e que cada dia seja mais um maravilhoso segredo”, próxima à assinatura “Donald”.
Trump nega veementemente a autoria, afirma que nunca escreveu o texto nem fez o desenho, e classificou a publicação como produto de “Fake News”. Em seu ponto de vista, o jornal não apresentou cópia original da carta, nem comprovou ter acessado o documento ou verificado sua autenticidade.
No processo enviado nesta sexta ao Tribunal Federal do Sul da Flórida, Trump culpa o WSJ, Rupert Murdoch, Dow Jones, News Corp., os jornalistas responsáveis e seu presidente emérito. O presidente exige pelo menos US$ 10 bilhões por danos morais e materiais—uma das indemnizações mais altas já requeridas em uma ação por difamação nos EUA.
Em comunicado oficial, um porta‑voz da Dow Jones declarou: “Temos total confiança no rigor e na precisão do nosso trabalho jornalístico, e nos defenderemos vigorosamente contra qualquer processo.”

O caso surge em meio a pressões sobre o governo Trump relacionadas à divulgação de documentos do caso Epstein. Nessa semana, o Departamento de Justiça pediu ao tribunal que os depoimentos do grande júri relativos a Epstein e à co‑ré Ghislaine Maxwell sejam tornados públicos — com devidas restrições — substituindo promessas anteriores de mais transparência.
Segundo especialistas em direito, Trump terá de provar que os réus agiram com “malícia real” — intencionalmente publicando informações falsas, algo difícil de demonstrar e cuja comprovação é necessária para que ele vença a causa.
Caso obtenha sucesso, o veredito pode estabelecer um marco na jurisprudência de difamação nos Estados Unidos, superando recordes passados, como os US$ 1,5 bilhão dados a Alex Jones e os US$ 787,5 milhões no acordo entre Fox News e Dominion Voting Systems.
